Por: Alfredo Júnior
O Governo de Moçambique e o Governo da Itália assinaram um acordo de crédito no valor de 20 milhões de euros, destinado a financiar um projecto de promoção do emprego, com especial enfoque na juventude e no empreendedorismo.
O acordo insere-se no quadro da cooperação bilateral entre os dois países e surge num contexto em que o desemprego juvenil continua a ser um dos principais desafios socioeconómicos do país. Segundo informações oficiais, os fundos deverão apoiar iniciativas de criação de emprego, capacitação profissional e desenvolvimento de pequenas e médias empresas, com prioridade para jovens recém-formados e empreendedores emergentes.
O projecto prevê a disponibilização de instrumentos financeiros em condições concessionais, combinados com programas de formação técnica e empresarial, numa tentativa de reduzir a distância entre a qualificação académica e as exigências do mercado de trabalho. A aposta passa não apenas pela criação de postos de trabalho directos, mas também pelo estímulo a actividades económicas sustentáveis capazes de gerar rendimento a médio e longo prazo.
Do lado italiano, a iniciativa é apresentada como parte de uma estratégia mais ampla de cooperação para o desenvolvimento, que privilegia o reforço das capacidades locais, a inclusão económica e a criação de oportunidades para a juventude. Itália tem vindo a apoiar projectos em áreas como educação, formação profissional e inovação, considerados fundamentais para a estabilidade social e económica.
Já o Governo moçambicano sublinha que o crédito agora assinado representa um reforço importante no combate ao desemprego, sobretudo num contexto marcado por limitações orçamentais e por uma crescente pressão social por oportunidades de trabalho. Ainda assim, especialistas alertam que o impacto real do projecto dependerá da boa implementação, transparência na gestão dos fundos e capacidade de acompanhamento dos beneficiários.
A assinatura deste crédito reabre o debate sobre o papel da cooperação internacional na resolução de problemas estruturais do mercado de trabalho moçambicano. Embora iniciativas desta natureza possam aliviar dificuldades imediatas, o desafio central continua a ser a criação de um ambiente económico capaz de absorver, de forma consistente, a crescente população jovem em idade activa.






