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Governo Sul-Africano Opõe-Se À Liquidação Da Tongaat Hulett E Alerta Para Impacto Em 250 Mil Empregos

Resumo

O Ministério do Comércio da África do Sul considera a Tongaat Hulett um ator "sistemicamente importante" na indústria açucareira e opõe-se à sua liquidação para evitar o colapso da cadeia de valor do açúcar. Com 134 anos de história e capacidade de moagem de 2 milhões de toneladas métricas, a empresa é crucial para a região. A possível liquidação ameaça 250 mil empregos ligados à produção de cana-de-açúcar, além de 2.600 postos de trabalho diretos. O processo de recuperação falhou, e o Governo sul-africano procura alternativas legais. A situação também pode afetar Moçambique e outras regiões, aumentando a vulnerabilidade do setor açucareiro. O desfecho da audiência de 27 de fevereiro terá impacto económico e social significativo na região.

Ministério do Comércio classifica grupo açucareiro como actor “sistemicamente importante” e tenta travar colapso da cadeia de valor do açúcar

Um Pilar Histórico Sob Pressão

O Ministério do Comércio da África do Sul anunciou que irá opor-se à liquidação da produtora de açúcar Tongaat Hulett, alertando para consequências severas para o emprego, agricultores e estabilidade do sector açucareiro .

Com 134 anos de história e capacidade de moagem de cerca de 2 milhões de toneladas métricas, a empresa é um dos maiores actores da indústria açucareira da região.

O ministro do Comércio e Indústria, Parks Tau, classificou a Tongaat como “actor sistemicamente importante” na cadeia de valor do açúcar, sublinhando a necessidade de encontrar solução “viável e duradoura” .

Efeito Cascata Na Cadeia De Valor

Segundo dados citados pela Reuters, cerca de 250 mil empregos ligados a produtores e fornecedores de cana-de-açúcar nas províncias de KwaZulu-Natal e Mpumalanga estão em risco, além de 2.600 postos de trabalho directos na empresa .

A eventual liquidação poderá desencadear efeito em cadeia sobre comunidades rurais altamente dependentes da produção açucareira.

A audiência para liquidação provisória está marcada para 27 de Fevereiro, num momento em que aumentam receios sobre estabilidade da cadeia de abastecimento de açúcar na África Austral .

Processo De Resgate Fracassado

O credor principal, Vision Group, indicou que o processo de recuperação iniciado em 2022, após irregularidades contabilísticas graves, falhou .

A Vision defende que a liquidação provisória poderá assegurar protecção de activos, estabilidade operacional e salvaguarda de meios de subsistência ligados ao grupo.

O Governo sul-africano, embora não tenha poder directo para impedir a liquidação, poderá participar nas audiências e defender alternativas legais à dissolução da empresa.

Implicações Para Moçambique

A Tongaat Hulett mantém operações em Moçambique, além da África do Sul, Zimbabué e Essuatíni .

Qualquer desestabilização estrutural do grupo poderá ter repercussões sobre cadeias produtivas regionais, exportações e comunidades agrícolas moçambicanas associadas ao sector.

Num contexto em que vários países africanos procuram reforçar segurança alimentar e industrialização agro-processadora, o eventual colapso de um operador regional desta dimensão pode aumentar vulnerabilidade do sector açucareiro.

Risco Sistémico Regional

O caso Tongaat ilustra desafio recorrente na África Austral: empresas historicamente estratégicas enfrentam dificuldades financeiras num ambiente de custos elevados, pressões regulatórias e fragilidade institucional.

A decisão que emergir da audiência de 27 de Fevereiro terá impacto que ultrapassa a esfera empresarial.

Está em causa a estabilidade de uma cadeia de valor regional, com implicações económicas e sociais significativas.

Fonte: O Económico

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