Resumo
Em janeiro de 2026, Moçambique registou uma inflação mensal de 1,26%, com inflação homóloga de 3,04%, destacando-se o aumento dos preços do tomate, coco, carvão vegetal e outros alimentos. A alimentação foi o principal impulsionador da inflação, com quase três quartos da variação mensal explicados por produtos como couve, cebola e alface. A cidade de Xai-Xai teve a maior variação mensal de preços, seguida por Inhambane e Chimoio. A pressão inflacionista varia significativamente entre regiões, com implicações macroeconómicas, destacando-se a necessidade de monitorizar os preços dos produtos frescos para avaliar a evolução da inflação. Apesar dos desafios, a inflação controlada oferece margem de manobra à política monetária, mas a volatilidade mensal requer cautela.
Moçambique registou, em Janeiro de 2026, uma inflação mensal de 1,26%, reflectindo uma aceleração do nível geral de preços face ao mês anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) constantes do boletim do Índice de Preços no Consumidor (IPC) – Moçambique (8 Cidades) .
A inflação homóloga, que compara os preços com igual período do ano anterior, situou-se em 3,04%, mantendo-se em patamar moderado, ainda distante dos níveis de pressão inflacionista observados em ciclos anteriores.
Alimentação volta a ser o epicentro da pressão inflacionista
A divisão de Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas voltou a assumir o papel central na formação da inflação mensal, ao contribuir com cerca de 0,93 pontos percentuais para o total de 1,26%. Em termos práticos, quase três quartos da inflação registada em Janeiro foram explicados pelo comportamento do cabaz alimentar.
Entre os produtos com maior impacto destacam-se o tomate, com uma subida de 16,3%, o coco, que disparou 53,0%, a couve (17,2%), o carvão vegetal (9,2%), o peixe seco (3,4%), a cebola (14,8%) e a alface (29,6%). No seu conjunto, estes produtos contribuíram com aproximadamente 0,83 pontos percentuais para a variação mensal.
Ainda assim, alguns itens exerceram efeito moderador sobre a inflação, como a galinha viva, o limão, o frango morto em pedaços, o camarão fresco, a manga e determinados serviços pessoais, atenuando parcialmente a pressão ascendente.
Dinâmicas regionais revelam assimetrias significativas
A análise por centro de recolha evidencia que todos os pontos urbanos abrangidos pelo IPC registaram aumento de preços em Janeiro. A Cidade de Xai-Xai destacou-se com a maior variação mensal, 4,03%, seguida da Província de Inhambane (2,27%) e da Cidade de Chimoio (1,39%). A Cidade de Maputo registou uma variação de 1,37%, ligeiramente acima da média nacional.
No plano homólogo, a Cidade de Tete apresentou a maior subida anual de preços, 7,13%, seguida de Xai-Xai (4,97%) e Quelimane (4,52%). Maputo, por seu turno, registou uma inflação homóloga de 1,12%, e Nampula 0,98%, revelando uma dispersão relevante das pressões inflacionistas no território.
Implicações macroeconómicas
O comportamento da inflação em Janeiro sugere que a pressão sobre o cabaz alimentar permanece um factor estrutural de risco para a estabilidade de preços, sobretudo num contexto marcado por choques climáticos recorrentes e vulnerabilidades nas cadeias de abastecimento.
Apesar disso, o nível homólogo de 3,04% indica que, no agregado, o País mantém uma trajectória de inflação controlada, oferecendo algum espaço de manobra à política monetária, ainda que a volatilidade mensal recomende prudência.
A evolução dos preços dos produtos frescos nas próximas semanas será determinante para aferir se o movimento de Janeiro representa um ajuste pontual sazonal ou o início de um novo ciclo de aceleração inflacionista.
Fonte: O Económico






