Por: Alfredo Júnior
A Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) anunciou a detenção de 3 744 suspeitos no âmbito de uma vasta operação global de combate às redes de imigração ilegal e de tráfico de seres humanos, numa acção que envolveu 119 países e territórios e mobilizou mais de 14 000 agentes de polícia em todos os continentes.
Denominada Operação Liberterra III, a iniciativa decorreu entre 10 e 25 de Novembro de 2025 e centrou-se na identificação, localização e prisão de criminosos envolvidos em redes transnacionais que facilitam a migração irregular e a exploração de vítimas através de tráfico para trabalho forçado, exploração sexual e outros crimes.
De acordo com a Interpol, a operação protegeu cerca de 4 414 potenciais vítimas de tráfico humano, muitas das quais foram retiradas de situações de exploração ou recrutadas sob falsas promessas de emprego, e identificou 12 992 migrantes em situação irregular.
O responsável pelo combate ao crime emergente e organizado na Interpol, David Caunter, sublinhou a importância da cooperação internacional no desmantelamento de redes criminosas, destacando que a acção conjunta permitiu desencadear mais de 720 novas investigações, algumas ainda em curso em diversos países.
Entre os casos de destaque estão desmantelamentos de redes que operavam em diferentes regiões: em Espanha, autoridades identificaram e prenderam responsáveis por uma rede que traficava mulheres para exploração sexual em salões de beleza e casas de massagens; em Peru, foram detidos membros de uma quadrilha acusada de traficar migrantes venezuelanos com destino ao Chile; e em outros países intervenientes foram descobertas ligações a grupos criminosos envolvidos em várias formas de exploração.
Os resultados da Operação Liberterra III evidenciam o alcance global das redes de tráfico humano e imigração ilegal, bem como as dificuldades persistentes na luta contra organizações que exploram pessoas vulneráveis através de esquemas sofisticados, incluindo falsas ofertas de trabalho, recrutamento em massa e uso de plataformas digitais para aliciar vítimas.
Autoridades internacionais destacam que, apesar das prisões em vários países, a operação apenas arranhou a superfície de um fenómeno dinâmico e em constante evolução, que exige cooperação contínua entre as forças de segurança, mecanismos legais robustos e iniciativas de protecção às vítimas para desmantelar de forma mais eficaz estas redes transnacionais.





