Resumo
A chegada de duas aeronaves Embraer 190, avaliadas em 25 milhões de dólares, a Maputo representa um avanço na reestruturação das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM). O investimento de 25 milhões de dólares sinaliza uma retoma operacional, mas a sustentabilidade da companhia dependerá da eficiência da gestão e de reformas estruturais profundas. As aeronaves, propriedade da LAM, têm capacidade para cerca de 100 passageiros e estão certificadas pela EASA. Apesar deste progresso, a frota atual ainda não atende às necessidades do mercado doméstico e regional, sendo que o plano inicial previa a incorporação de cinco a seis aeronaves. O Governo destaca a importância da eficiência na gestão para garantir um relançamento sustentável e competitivo da companhia aérea nacional.
Investimento de 25 milhões de dólares sinaliza retoma operacional, mas a sustentabilidade da companhia aérea nacional dependerá da eficiência da gestão, disciplina financeira e reformas estruturais profundas.
A chegada a Maputo de duas aeronaves Embraer 190, avaliadas em 25 milhões de dólares norte-americanos, representa um avanço relevante — embora ainda modesto — no processo de reestruturação das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM). O reforço da frota própria constitui um sinal positivo de retoma operacional, mas o próprio Governo admite que, sem ganhos claros de eficiência na gestão, este passo dificilmente se traduzirá num relançamento sustentável e competitivo da companhia aérea nacional.
Frota Própria Como Sinal De Viragem Operacional
Falando no Aeroporto Internacional de Maputo, o Presidente do Conselho de Administração dos CFM, em representação dos accionistas da LAM, Agostinho Langa, sublinhou que as aeronaves agora recebidas são propriedade efectiva da companhia e não resultam de contratos de aluguer, um aspecto considerado crítico para a sustentabilidade futura da empresa.
“Este é um pequeno passo para a LAM, mas é um grande passo para o país. Estão aqui duas aeronaves próprias da LAM, não são alugadas”, afirmou, destacando que a matrícula nacional “C9” comprova a titularidade dos aviões.
As aeronaves, do tipo Embraer 190, com capacidade para cerca de 100 passageiros, chegaram certificadas pela Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) e encontram-se tecnicamente aptas para operação, ainda que não ostentem as cores da companhia devido a limitações logísticas nas oficinas de pintura.
Capacidade Operacional Ainda Abaixo Das Necessidades
Apesar do reforço, a actual dimensão da frota continua aquém das necessidades do mercado doméstico e regional. Inicialmente, o plano de reestruturação previa a incorporação de cinco a seis aeronaves nesta fase, após a entrada de um primeiro avião em Agosto. No entanto, apenas duas aeronaves chegaram efectivamente ao país, mantendo-se pendente a calendarização das restantes.
O próprio Agostinho Langa reconheceu que os aviões agora recebidos não resolvem, por si só, os problemas de conectividade e regularidade, embora possam contribuir para reduzir gradualmente os constrangimentos nas ligações entre províncias.
Situação Financeira: Estabilização Incipiente Num Contexto Frágil
Do ponto de vista económico-financeiro, o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, foi explícito ao afirmar que o momento não é de celebração.
“Não viemos celebrar porque os desafios são enormes”, declarou, lembrando que a LAM foi encontrada numa situação de falência técnica e financeira.
Ainda assim, o governante reconheceu sinais encorajadores de curto prazo, referindo que, nos últimos quatro meses, a empresa registou vendas superiores às despesas, um indicador relevante de estabilização operacional, embora insuficiente para compensar o passivo acumulado e garantir sustentabilidade estrutural.
Eficiência Na Gestão Como Eixo Central Da Reestruturação
É neste ponto que o debate sobre a reestruturação da LAM ganha profundidade económica. O reforço da frota, ainda que necessário, não substitui a necessidade de uma gestão eficiente, rigorosa e profissionalizada. Num sector caracterizado por margens reduzidas, custos elevados e forte concorrência regional, a viabilidade da companhia dependerá da capacidade de controlar custos operacionais, optimizar rotas, melhorar a previsibilidade dos horários e alinhar a política comercial com a procura efectiva.
Sem ganhos claros de produtividade e sem uma cultura de desempenho orientada para resultados, o investimento em activos físicos corre o risco de aumentar a base de custos, em vez de gerar valor económico sustentável. A própria advertência governamental sobre a dimensão dos desafios reforça a leitura de que o relançamento da LAM exige menos soluções conjunturais e mais reformas estruturais, com foco na governação, transparência e responsabilização da gestão.
Reestruturação Como Processo De Médio Prazo
O Executivo deixou claro que a recuperação da companhia aérea nacional será um processo prolongado. A reestruturação deverá estender-se até 2026–2027, estando previsto um segundo pacote de reformas a partir de Janeiro, com incidência sobre o modelo de negócio, governação corporativa, frota e sustentabilidade financeira.
Segundo João Matlombe, “refazer a LAM significa sacrifícios de todos”, sublinhando que os recursos mobilizados são públicos e exigem uma gestão prudente, transparente e orientada para resultados.
Um Passo Necessário, Mas Ainda Insuficiente
A entrada das duas aeronaves constitui um sinal importante de compromisso com a recuperação da LAM, mas não altera, por si só, a equação económica da empresa. O sucesso do processo dependerá da capacidade de converter investimento público em eficiência operacional, recuperar a confiança dos passageiros e posicionar a companhia como um operador fiável num mercado cada vez mais competitivo.
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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">Em convergência, Governo e accionistas reconhecem que o processo está em curso, mas que o verdadeiro teste da reestruturação será a eficiência da gestão e a disciplina financeira, sem as quais não haverá relançamento sustentável da transportadora aérea nacional.
Fonte: O Económico






