Resumo
O mercado global de gás natural liquefeito (LNG) fechou 2025 com uma posição reforçada, impulsionado por uma procura resiliente e mudanças geopolíticas no comércio de gás. O LNG tornou-se crucial para a flexibilidade energética de economias asiáticas e da Europa, reduzindo a dependência do gás russo. Em 2026, o mercado mantém-se sólido, mas vulnerável a choques geopolíticos e climáticos. Os EUA consolidaram-se como o maior exportador de LNG, com o Qatar e a Austrália também com quotas significativas. A procura global liderou na Ásia, com China e Índia a substituir carvão por gás. Apesar do crescimento da oferta em 2025, este foi lento, mantendo o mercado apertado e suscetível a interrupções de fornecimento e tensões geopolíticas. Os preços do LNG foram voláteis, mas com suporte estrutural.
2025: Um Ano De Consolidação Estratégica
Em 2025, o LNG consolidou a tendência iniciada após a crise energética europeia. De acordo com a Reuters, os fluxos globais de LNG mantiveram-se elevados, com os Estados Unidos a reforçarem a posição como maior exportador mundial, enquanto o Qatar e a Austrália preservaram quotas relevantes.
A IGU refere que o crescimento da procura global foi liderado pela Ásia, com destaque para a China e a Índia, impulsionadas pela substituição parcial do carvão e pela necessidade de assegurar energia fiável para sustentar o crescimento económico. A Europa, embora com consumo mais volátil, manteve uma procura estruturalmente elevada, recorrendo ao LNG como principal alternativa ao gás canalizado.
Oferta Cresce, Mas Mercado Mantém-se Apertado
Apesar de alguns novos volumes entrarem no mercado em 2025, a expansão da oferta foi gradual. Segundo a Agência Internacional de Energia, atrasos em projectos, constrangimentos logísticos e disciplina de investimento mantiveram o crescimento da liquefacção abaixo do ritmo da procura.
Este desfasamento contribuiu para um mercado relativamente apertado, com preços mais sensíveis a interrupções de fornecimento, condições meteorológicas extremas e tensões geopolíticas, particularmente no Médio Oriente e em rotas marítimas estratégicas.
Preços Voláteis, Mas Com Suporte Estrutural
Os preços do LNG em 2025 apresentaram volatilidade, mas mantiveram um suporte estrutural acima dos níveis pré-crise. A Reuters indica que picos sazonais de procura, combinados com eventos climáticos e riscos geopolíticos, sustentaram os preços em momentos-chave do ano.
A existência de contratos de longo prazo e a crescente indexação a preços híbridos ajudaram a mitigar oscilações extremas, reforçando a previsibilidade para produtores e grandes compradores.
O Que Sustentará A Força Do LNG Em 2026
À entrada de 2026, vários factores deverão sustentar a força do mercado global de LNG. A IEA destaca a continuidade da procura asiática, impulsionada pela urbanização, electrificação e transição energética. A Europa, por sua vez, deverá manter elevados níveis de importação para garantir segurança energética e reabastecer reservas.
Adicionalmente, novos projectos previstos para entrar em operação a partir de 2026 e 2027, sobretudo nos Estados Unidos, Qatar e África, começam a ser antecipados pelo mercado, influenciando expectativas de médio prazo sem eliminar, no imediato, a sensação de aperto.
África Ganha Relevância Estratégica
O continente africano reforçou, em 2025, a sua relevância estratégica no mercado global de LNG. Segundo a IGU e a Reuters, projectos em países como Moçambique, Nigéria e Senegal são vistos como fundamentais para diversificar a oferta global no médio prazo.
Embora muitos destes projectos ainda enfrentem desafios de execução e financiamento, a sua importância geopolítica e energética tende a crescer em 2026, num contexto de procura sustentada e de necessidade de novas fontes de abastecimento.
2026: Força Com Riscos Controlados
O balanço entre oferta e procura aponta para um mercado de LNG robusto em 2026, mas não isento de riscos. Tensões geopolíticas, eventos climáticos extremos e atrasos em projectos continuam a representar factores de incerteza.
Ainda assim, a leitura dominante entre analistas citados pela Reuters é de que o LNG manterá um papel central na arquitectura energética global, funcionando como ponte entre a segurança energética e os objectivos de transição, com uma força sustentada por fundamentos estruturais mais do que por choques conjunturais.
Fonte: O Económico




