Por: Alfredo Júnior
A Microsoft identificou um conjunto de tendências que, segundo a empresa, deverão marcar de forma decisiva a evolução da Inteligência Artificial (IA) em 2026. Mais do que avanços técnicos isolados, a tecnológica aponta para uma fase de consolidação da IA no mundo real, com impactos directos na forma como as organizações trabalham, tomam decisões e interagem com clientes e cidadãos.
Uma das principais mudanças previstas é a transição da IA enquanto ferramenta de apoio pontual para sistemas inteligentes integrados nos processos centrais das organizações. A Microsoft antecipa que assistentes e agentes de IA passarão a desempenhar um papel mais activo, colaborando com equipas humanas na análise de dados, produção de conteúdos, gestão de projectos e automação de tarefas complexas. A lógica deixa de ser “usar IA quando necessário” e passa a ser “trabalhar continuamente com IA”.
Outro eixo central é a expansão da IA generativa no ambiente empresarial. Segundo a visão da empresa, em 2026 esta tecnologia deixará de ser vista como experimental e passará a ser parte estrutural das operações, desde o atendimento ao cliente até ao planeamento estratégico. A promessa é de ganhos significativos de produtividade, mas também de maior pressão sobre as empresas para redefinirem funções, fluxos de trabalho e modelos de liderança.
A Microsoft chama igualmente a atenção para um desafio que acompanha este crescimento: a lacuna de competências. Apesar do avanço acelerado das ferramentas de IA, muitas organizações continuam a enfrentar dificuldades na formação de quadros capazes de compreender, gerir e tirar proveito destas tecnologias. Para 2026, a empresa aponta a capacitação como um factor decisivo para determinar quem beneficia efectivamente da revolução da IA e quem fica para trás.
No plano institucional, a questão da confiança, ética e governação da IA surge como outra tendência incontornável. Com o aumento da utilização de sistemas inteligentes em áreas sensíveisc como saúde, finanças, educação e administração pública cresce também a necessidade de regras claras, transparência nos algoritmos e mecanismos de responsabilização. A Microsoft reconhece que a aceitação social da IA dependerá cada vez mais da forma como estes sistemas são regulados e utilizados de forma responsável.
Em termos sectoriais, a empresa prevê impactos transversais. Na saúde, a IA deverá acelerar diagnósticos e apoiar decisões clínicas; na educação, contribuir para modelos de aprendizagem mais personalizados; e na investigação científica, reduzir o tempo necessário para análises complexas e descobertas. Este cenário reforça a ideia de que a IA deixará de ser um elemento periférico para se tornar infra-estrutura crítica em múltiplos sectores.
No seu conjunto, as tendências apontadas pela Microsoft sugerem que 2026 será menos um ano de novidade tecnológica e mais um ano de maturidade e integração. A IA já não será avaliada apenas pelo seu potencial, mas pelos resultados concretos que consegue gerar. Para organizações e governos, o desafio não estará apenas em adoptar a tecnologia, mas em fazê-lo de forma estratégica, ética e alinhada com as necessidades reais da sociedade.






