MISA exige respostas sobre desaparecimento de jornalistas

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Desapareceram em silêncio e até hoje continuam sem voz. Ibraimo Mbaruco e Arlindo Chissale, ambos jornalistas, têm em comum mais do que o jornalismo: ambos desapareceram e nunca mais foram vistos.

“Estou cercado por soldados” foi a mensagem enviada às 18h00 do dia 7 de Abril de 2020 por Ibraimo Mbaruco, repórter da Rádio Comunitária de Palma, em Cabo Delgado, foi curta e final. Desde então, o silêncio tomou conta da sua história  e da sua vida.

Quando Ibraimo Mbaruco saiu do seu escritório naquela tarde de Abril, não imaginava que seria a última vez que sua presença seria confirmada em público.

A família e os colegas tentaram de tudo: Ligações, mensagens, buscas. Durante dois meses, o telemóvel permaneceu desligado. E então, um sinal de vida: a 8 de Junho de 2020, o dispositivo foi misteriosamente ligado. O MISA Moçambique alertou as autoridades, pedindo o uso de tecnologia de geolocalização. Nenhuma resposta. Nenhuma acção pública conhecida.

Cinco anos depois do desaparecimento de Mbaruco, outro silêncio se impôs. Desta vez, na pequena aldeia de Silva Macua, também em Cabo Delgado. Arlindo Chissale, editor do site Pinnacle News, terá sido forçado a sair de uma viatura por oito homens, alguns supostamente trajados do uniforme das Forças de Defesa e Segurança. Nunca mais foi visto.  

O seu desaparecimento deu-se no dia 7 de Janeiro de 2025, horas depois de receber uma mensagem alertando que estava numa lista oficial de alvos a abater.

Para o Misa Moçambique,  há falta interesse por parte das autoridades para investigar os casos.    

As famílias de Ibraimo Mbaruco e Arlindo Chissale continuam à espera. Uma espera por respostas, por justiça, por verdade. Enquanto isso, o silêncio continua  e com ele, a sombra sobre o jornalismo moçambicano.

Fonte: O País

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