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Moçambique e Países Nórdicos Propõem Crescimento Sustentado Ancorado em Reformas, Estado Social e Previsibilidade Institucional

Resumo

Uma conferência em Maputo destacou a importância da arquitetura estratégica nacional para atrair investidores, propondo uma transição de cooperação por projetos para parcerias por resultados. Moçambique busca fortalecer reformas estruturais com uma diplomacia económica mais sofisticada, baseada em previsibilidade institucional, disciplina macroeconómica e inclusão produtiva. O governo apresentou a "arquitetura estratégica" como um sinal de estabilidade aos investidores, composta pela ENDE 2025–2044, Programa Quinquenal do Governo, Cenário Fiscal de Médio Prazo e Estratégia Nacional de Financiamento Climático. Salim Valá, Ministro da Planificação e Desenvolvimento, sublinhou a importância da confiança económica e da coerência entre política fiscal, planeamento estratégico e sustentabilidade climática para atrair investimento privado de longo prazo. A conferência também abordou o modelo nórdico de desenvolvimento, destacando o Estado social como um investimento em capital humano e produtividade. Com uma população jovem significativa, a inclusão produtiva da juventude foi enfatizada como essencial para a estabilidade social e o crescimento sustentável.

Conferência em Maputo reforça arquitectura estratégica nacional como sinal de confiança aos investidores e propõe transição de cooperação por projectos para parceria por resultados

Moçambique procura consolidar a sua trajectória de reformas estruturais através de uma diplomacia económica mais sofisticada, ancorada em previsibilidade institucional, disciplina macroeconómica e inclusão produtiva. Essa foi a mensagem central da conferência realizada em Maputo entre o Governo e representantes da Noruega, Suécia, Dinamarca e Finlândia .

Num momento em que o país enfrenta pressões fiscais e desafios de financiamento, o Executivo apresentou o que designa como “arquitectura estratégica” — integrada pela ENDE 2025–2044, o Programa Quinquenal do Governo, o Cenário Fiscal de Médio Prazo e a Estratégia Nacional de Financiamento Climático — como sinal claro de estabilidade aos investidores.

Arquitectura Estratégica Como Instrumento de Confiança

O Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, defendeu que os instrumentos de planeamento não são meramente técnicos, mas mecanismos estruturantes de confiança económica .

A mensagem implícita é que previsibilidade e coerência entre política fiscal, planeamento estratégico e sustentabilidade climática são condições indispensáveis para atrair investimento privado de longo prazo — particularmente em sectores como energia, agro-indústria, infra-estruturas e indústria transformadora.

Num contexto global de aversão ao risco e selectividade crescente do capital internacional, a consolidação de credibilidade institucional assume dimensão estratégica.

Estado Social Como Plataforma de Produtividade

A intervenção do Embaixador da Noruega, Egil Thorsås, introduziu uma dimensão estrutural ao debate: o modelo nórdico de desenvolvimento, baseado em sistemas robustos de protecção social, educação universal e instituições transparentes .

A premissa apresentada é que o Estado social não representa um custo fiscal improdutivo, mas um investimento em capital humano, coesão social e produtividade sistémica.

Para Moçambique, o desafio reside em adaptar princípios desse modelo a uma realidade fiscal ainda constrangida, mas com elevado potencial demográfico.

Capital Humano Como Variável Macroeconómica

Com 66,7% da população abaixo dos 25 anos, a juventude foi apresentada como activo estratégico central . A inclusão produtiva de jovens e mulheres foi enquadrada como condição económica, e não apenas social.

Num país onde a expansão demográfica pode transformar-se em dividendo ou risco, a conversão de capital humano em produtividade efectiva determinará a sustentabilidade do crescimento.

A equação é clara: sem integração económica da juventude, não haverá estabilidade social; sem estabilidade social, não haverá investimento consistente.

Capital Humano Como Variável Macroeconómica

Com 66,7% da população abaixo dos 25 anos, a juventude foi apresentada como activo estratégico central . A inclusão produtiva de jovens e mulheres foi enquadrada como condição económica, e não apenas social.

Num país onde a expansão demográfica pode transformar-se em dividendo ou risco, a conversão de capital humano em produtividade efectiva determinará a sustentabilidade do crescimento.

A equação é clara: sem integração económica da juventude, não haverá estabilidade social; sem estabilidade social, não haverá investimento consistente.

Da Cooperação Tradicional à Parceria por Resultados

O elemento mais estratégico da conferência foi a proposta de evolução do modelo de cooperação bilateral. O Ministro sugeriu uma transição de projectos isolados para uma parceria estruturada por resultados alinhados à ENDE 2025–2044 .

A mudança conceptual é relevante: desloca o foco da assistência fragmentada para métricas de impacto económico mensurável, integração sectorial e alinhamento com prioridades nacionais.

Este reposicionamento reflecte maturidade institucional crescente e ambição de transformar parceiros de desenvolvimento em investidores estratégicos.

Diplomacia Económica Como Ferramenta de Transformação

A conferência evidencia uma tendência mais ampla: a diplomacia económica deixa de ser instrumento protocolar e passa a assumir função estruturante na captação de investimento, financiamento climático e parcerias tecnológicas.

Num cenário de consolidação fiscal gradual, necessidade de financiamento de infra-estruturas e transição energética, o alinhamento com economias nórdicas — reconhecidas por padrões elevados de governança e inovação — poderá representar vantagem competitiva.

Contudo, a materialização dessa ambição dependerá da execução efectiva das reformas anunciadas, da consolidação do ambiente regulatório e da manutenção de disciplina macroeconómica.

Moçambique apresenta-se, assim, numa encruzilhada estratégica: transformar arquitectura institucional em confiança concreta e cooperação diplomática em crescimento sustentável.

Fonte: O Económico

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