Resumo
Moçambique e Zâmbia lançaram o interconector transfronteiriço de fibra óptica Chanida–Cassacatiza, ligando a espinha dorsal zambiana à rede submarina moçambicana. Esta ligação fortalece a redundância, fiabilidade da internet e facilita o comércio entre os dois países, sendo considerada um passo estruturante para a integração digital regional. O projeto, resultado de uma parceria entre a Bayobab Zambia e a Vodacom Moçambique, é apoiado por reformas políticas que visam promover um ambiente regulatório favorável ao investimento privado. A interligação digital potencia o comércio eletrónico, serviços financeiros digitais e operações empresariais transfronteiriças, reforçando a competitividade regional e a posição de Moçambique como hub digital marítimo na África Austral.
Moçambique e Zâmbia lançaram oficialmente o interconector transfronteiriço de fibra óptica Chanida–Cassacatiza, num passo considerado estruturante para a integração digital regional e a facilitação do comércio entre os dois países, segundo informação institucional partilhada pelas autoridades envolvidas .
Infra-estrutura Digital Como Pilar Económico
A nova interligação conecta a espinha dorsal de fibra óptica da Zâmbia à rede submarina de cabos de Moçambique, aumentando redundância, melhorando a fiabilidade da internet e reforçando a troca transfronteiriça de dados .
Durante a cerimónia de inauguração, realizada no posto fronteiriço de Chanida, o Ministro da Tecnologia e Ciência da Zâmbia, Felix Mutati, afirmou que o projecto posiciona o seu país como o mais digitalmente conectado da África Austral, com ligações a oito países vizinhos .
Mutati sublinhou que a infraestrutura digital é hoje tão relevante quanto estradas, energia ou caminhos-de-ferro, particularmente para sustentar serviços de governo electrónico e sistemas de transferências sociais em comunidades rurais.
Parceria Público-Privada E Reforma Reguladora
O projecto resulta de uma parceria entre a Bayobab Zambia e a Vodacom Moçambique, num quadro de reformas políticas que incluíram a eliminação de taxas de importação sobre infraestruturas digitais e a criação de um ambiente regulatório favorável ao investimento privado .
O Ministro das Comunicações e Transformação Digital de Moçambique, Américo Muchanga, destacou que a integração de infraestruturas de telecomunicações permitirá que os dois países estejam ligados não apenas por estradas e portos, mas também por meios digitais, facilitando o fluxo de bens e serviços digitais.
Comércio, Dados E Competitividade
A ligação digital reforça a capacidade da região para sustentar comércio electrónico, serviços financeiros digitais, integração logística e operações empresariais transfronteiriças.
O Governador da Província de Tete, Domingos Viola, considerou que a partilha de infraestruturas digitais constitui um marco importante da era digital e contribuirá para o desenvolvimento económico regional .
Num contexto em que corredores logísticos físicos como estradas e caminhos-de-ferro são cada vez mais complementados por “corredores digitais”, a interligação Chanida–Cassacatiza representa um activo estratégico para a competitividade regional.
Juntar Hub Logistico ao Hub Digital
A crescente digitalização das economias da África Austral exige infra-estruturas resilientes, redundantes e interoperáveis. Ao ligar o backbone zambiano à rede submarina moçambicana, o projecto reforça a posição de Moçambique como porta de entrada digital marítima para países do interior da região.
Para Moçambique, a consolidação do papel de hub digital complementa a sua vocação logística e energética, ampliando a sua relevância na arquitectura económica regional e reforçando a competitividade do corredor Centro-Norte.
Fonte: O Económico






