Resumo
As receitas de exportação de energia em Moçambique caíram mais de 40% no terceiro trimestre de 2025, devido a dificuldades na produção energética, com a Hidroelétrica de Cahora Bassa a ser afetada por condições adversas. O carvão mineral também teve uma quebra significativa, contribuindo para a redução geral das exportações moçambicanas. Produtos como rubis, amendoim, tabaco, açúcar e legumes registaram perdas nas receitas, com destaque para os rubis, que viram uma queda de 60% no volume exportado. No entanto, setores como o alumínio, gás natural e castanha de caju tiveram um desempenho positivo, com aumentos nas exportações. Apesar disso, as exportações totais de Moçambique diminuíram para 5,7 mil milhões de dólares, representando uma redução de 470 milhões em relação ao ano anterior.
Os dados mais recentes da Balança de Pagamentos, divulgados pelo Banco de Moçambique, noticiado pela Carta de Moçambique, indicam uma forte redução nas receitas de exportação de energia no terceiro trimestre de 2025. No período em análise, as receitas caíram mais de 40% face ao mesmo trimestre de 2024, refletindo sobretudo dificuldades na produção energética.
O relatório aponta que a venda de energia eléctrica gerou cerca de 318 milhões de dólares, menos 217 milhões do que no período homólogo, o que representa uma queda de 40,6%. Segundo o documento, esta descida resulta de condições hidrológicas adversas e de constrangimentos técnicos registados num dos principais fornecedores do sistema elétrico.
No entanto, apesar de o relatório não identificar directamente a entidade afectada, sabe-se que a produção da Hidroelétrica de Cahora Bassa tem sido pressionada por períodos prolongados de seca. Desta forma, a empresa tem vindo a enfrentar dificuldades para manter os níveis habituais de produção e exportação.
Assim sendo, a HCB tem em curso um plano de investimento de longo prazo, designado Capex Vital 10 anos, que prevê a reabilitação do central sul e das subestações, a construção de uma nova central no Norte e ainda uma unidade solar na província de Tete. O objectivo é aumentar a capacidade de produção dos actuais 2075 megawatts para cerca de 4000 megawatts anuais.
No entanto, o sector energético não foi o único a registar perdas. O carvão mineral também apresentou uma quebra significativa, com uma redução de cerca de 335 milhões de dólares nas receitas de exportação. A queda é explicada por paralisações na produção em algumas empresas e pela descida de 13,1% no preço médio internacional do produto.
O relatório indica que o carvão gerou cerca de 1,2 mil milhões de dólares no terceiro trimestre de 2025, abaixo dos 1,5 mil milhões registados no mesmo período do ano anterior. Esta tendência contribuiu de forma decisiva para o recuo geral das exportações moçambicanas.
No entanto, outros produtos tradicionais também registaram perdas. As receitas caíram 174 milhões de dólares, com destaque para rubis, amendoim, tabaco, açúcar e legumes. Assim sendo, os rubis tiveram uma quebra de 41 milhões, o amendoim 29 milhões, o tabaco 16 milhões, o açúcar 22 milhões e os produtos hortícolas cerca de 6 milhões de dólares.
No caso dos rubis, a Balança de Pagamentos aponta uma queda de cerca de 60% no volume exportado, associada à baixa qualidade do minério e a limitações na produção, agravadas pela demora na importação de peças para manutenção dos equipamentos.
No entanto, no sector do tabaco, a redução esteve ligada a uma diminuição de 24% no volume exportado. Já o açúcar sofreu impacto dos eventos climáticos registados no primeiro semestre de 2025 e da paralisação de uma das principais unidades de produção.
Desta feita, com a queda combinada da energia e do carvão, as exportações totais de Moçambique fixaram-se em 5,7 mil milhões de dólares, representando uma redução de 470 milhões face ao terceiro trimestre de 2024.
No entanto, nem todos os sectores seguiram a tendência negativa. As exportações de alumínio aumentaram em 260 milhões de dólares e o gás natural em 29 milhões, impulsionados pela subida dos preços internacionais e pelo aumento do volume vendido.
Assim sendo, também a castanha de caju registou um crescimento de 18 milhões de dólares, devido ao aumento das quantidades exportadas. Ainda assim, este desempenho positivo não foi suficiente para compensar as perdas registadas nos restantes produtos tradicionais da economia.






