Por: Alfredo Júnior
Moçambique ultrapassou os 9.500 casos cumulativos de cólera desde o início da actual epidemia, em Setembro de 2025, tendo registado 89 óbitos, de acordo com dados oficiais do Ministério da Saúde (MISAU), consultados este fim-de-semana. Nas últimas semanas, o país notificou mais de 450 novos casos e três mortes, evidenciando que a doença continua activa em várias províncias e a representar um desafio para o sistema nacional de saúde.
Segundo os boletins epidemiológicos das autoridades sanitárias, a transmissão permanece concentrada em zonas vulneráveis, onde persistem limitações no acesso à água potável, ao saneamento básico e aos serviços de higiene. As equipas de saúde mantêm operações de vigilância epidemiológica, tratamento de doentes, campanhas de sensibilização comunitária e intervenções para melhorar o acesso à água segura, procurando conter a propagação da doença.
A actual epidemia surge num contexto de elevada vulnerabilidade sanitária, marcado pelos efeitos combinados de fenómenos climáticos extremos, deslocações populacionais e dificuldades de acesso a serviços básicos. Organizações internacionais têm alertado que conflitos, ciclones, cheias e secas aumentam o risco de surtos de doenças transmitidas pela água, incluindo a cólera, sobretudo nas províncias do norte e centro do país.
A cólera é uma doença infecciosa aguda causada pela bactéria Vibrio cholerae, transmitida principalmente através do consumo de água ou alimentos contaminados. Sem tratamento adequado, pode provocar desidratação grave e levar à morte em poucas horas. No entanto, especialistas sublinham que a maioria dos casos pode ser tratada com sucesso quando existe diagnóstico precoce, reidratação imediata e acesso atempado aos serviços de saúde.
O Ministério da Saúde continua a recomendar à população medidas preventivas como o consumo de água tratada ou fervida, a lavagem frequente das mãos com água e sabão, a correcta conservação dos alimentos e a procura imediata de assistência médica perante sintomas como diarreia aquosa intensa e vómitos. Paralelamente, as autoridades reforçam a vigilância nas áreas mais afectadas e a preparação das unidades sanitárias para responder ao aumento da procura por cuidados de saúde.
Especialistas em saúde pública defendem que o controlo sustentável da cólera depende não apenas da resposta clínica aos surtos, mas também de investimentos estruturais em abastecimento de água, saneamento e educação para a saúde. Consideram que a repetição de epidemias demonstra a necessidade de acelerar intervenções que reduzam a exposição das comunidades às fontes de contaminação e reforcem a capacidade de prevenção do sistema de saúde.


