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Mozal Entra Em “Care And Maintenance” Em 2026: Impactos Económicos E Os Cenários Em Jogo

Resumo

A suspensão da fundição Mozal Aluminium em Moçambique a partir de março de 2026 expõe um dilema entre a competitividade empresarial e a necessidade do Estado de capturar mais valor. A decisão da South32 deve-se à falta de um novo acordo de fornecimento de eletricidade, levantando questões sobre a política económica nacional. A empresa afirma que a fundição de alumínio só é viável com eletricidade suficiente e a preço competitivo, enquanto o Estado vê a energia como um recurso nacional escasso sujeito a pressões climáticas e necessidades internas. A suspensão terá impacto no emprego e nas comunidades, destacando a tensão entre o impacto social e a sustentabilidade económica. Este impasse reflete um desafio estrutural na industrialização moçambicana.

Entre a racionalidade empresarial da competitividade energética e a exigência do Estado de capturar mais valor, a suspensão da fundição expõe um dilema estrutural da industrialização moçambicana.

A decisão da South32 de colocar a Mozal Aluminium em regime de “care and maintenance” a partir de 15 de Março de 2026, por não ter sido assegurado um novo acordo de fornecimento de electricidade, constitui um choque económico com implicações estruturais para Moçambique. Mais do que um episódio empresarial, o caso expõe um dilema central da política económica nacional: como conciliar a competitividade de grandes projectos industriais com a necessidade legítima do Estado de maximizar o retorno dos seus activos estratégicos, em particular a energia.

Energia: Onde As Duas Racionalidades Colidem

No centro da decisão está a electricidade — não apenas como insumo, mas como activo estratégico. A South32 afirma que, apesar das negociações com o Governo, a HCB e a Eskom, “um novo acordo de fornecimento de electricidade não foi assegurado”, tornando inviável a continuidade das operações para além de Março de 2026.

Do ponto de vista empresarial, a racionalidade é clara: uma fundição de alumínio só é viável se dispuser de electricidade suficiente, previsível e a um preço internacionalmente competitivo. O CEO da South32, Graham Kerr, foi explícito ao afirmar que o impasse foi agravado por “condições persistentes de seca que afectam o fornecimento da HCB”, reduzindo a previsibilidade do custo energético.

Mas do ponto de vista do Estado, a energia não é apenas um factor de produção: é um recurso nacional escasso, sujeito a pressões climáticas, necessidades internas crescentes e exigências de sustentabilidade financeira do sector eléctrico. Esta tensão estrutural está no cerne do impasse.

Emprego: Impacto Social Versus Sustentabilidade Económica

A suspensão das actividades terá efeitos directos e indirectos no emprego, com impacto sobre trabalhadores, fornecedores e comunidades. A própria empresa reconhece que a decisão é “difícil” para os seus colaboradores e parceiros.

Contudo, do ponto de vista do País, a preservação do emprego não pode ser dissociada da sustentabilidade económica de longo prazo. Manter postos de trabalho à custa de condições estruturalmente desfavoráveis para o Estado pode gerar ganhos de curto prazo, mas comprometer a capacidade de investimento público e a solidez do sector energético no futuro.

O desafio passa, assim, por proteger o emprego sem perpetuar desequilíbrios económicos, o que exige soluções negociadas, e não apenas prolongamentos artificiais de modelos esgotados.

Conteúdo Local: Ganhos Construídos, Riscos De Regressão

Ao longo dos anos, a Mozal tornou-se um dos principais motores do conteúdo local industrial, sustentando uma vasta rede de fornecedores nacionais. Uma paragem prolongada ameaça erosão de competências, perda de capital produtivo e enfraquecimento do tecido empresarial.

Aqui, a posição do Estado é igualmente defensável: conteúdo local não deve existir apenas em volume, mas em qualidade e valor acrescentado. O País precisa ganhar mais — e ganhar melhor — com os grandes projectos, garantindo que a participação das empresas nacionais se traduz em aprendizagem, escala e sustentabilidade, e não apenas em dependência de um único operador.

Divisas E Balança Externa: Um Equilíbrio Delicado

A Mozal tem um peso significativo nas exportações e na geração de divisas. A sua suspensão pode pressionar a balança de pagamentos e agravar constrangimentos cambiais.

Ainda assim, a posição nacional não é irracional: maximizar divisas não é apenas exportar mais, mas assegurar que o valor exportado gera retornos líquidos adequados para a economia. Se o custo de manter a actividade for estruturalmente elevado para o País, o ganho cambial pode revelar-se menos robusto do que aparenta.

Fiscalidade: Para Além Da Receita Imediata

No plano fiscal, o dilema repete-se. A actividade da Mozal gera receitas directas e indirectas, mas também implica concessões implícitas, sobretudo no acesso à energia. A questão central é saber se o saldo líquido para o Estado continua positivo e sustentável.

A posição do País, neste contexto, é legítima: não se trata de inviabilizar o investimento, mas de assegurar que o retorno nacional acompanha a maturidade do projecto e as novas realidades económicas.

Três Cenários E Um Ponto Comum

Os cenários que se desenham mantêm-se: um acordo tardio, uma solução transitória ou uma paragem prolongada. Mas todos convergem num ponto comum: o modelo de relação entre energia e indústria pesada precisa de ser revisto.

A suspensão da Mozal não é apenas um teste à resiliência de um projecto, mas à capacidade de Moçambique negociar melhor, capturar mais valor e alinhar interesses empresariais e nacionais.

Um Dilema Que Exige Maturidade Estratégica

No essencial, o caso Mozal não opõe certo e errado, mas duas racionalidades económicas legítimas. A empresarial, focada em custos e competitividade global; e a do Estado, focada em retorno nacional, sustentabilidade e desenvolvimento.

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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">O desafio estratégico para Moçambique é transformar este impasse numa oportunidade: redefinir os termos da industrialização, assegurar que grandes projectos continuam viáveis, mas também que o País ganha mais — e ganha melhor — com os seus recursos, com previsibilidade, transparência e visão de longo prazo.

Fonte: O Económico

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