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Wednesday, January 7, 2026
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O FIM DE UMA DÍVIDA E O RECOMEÇO DE UMA RELAÇÃO

Resumo

O Estado moçambicano liquidou integralmente a dívida acumulada desde 2017 com atletas nacionais, pagando os 30 milhões de meticais em falta através da transferência dos 50% restantes dos prémios devidos a 176 desportistas por títulos internacionais. Este pagamento encerra um ciclo de atrasos e incertezas, sendo considerado um marco importante para o desporto em Moçambique. O cumprimento desta obrigação financeira representa um reconhecimento do mérito desportivo e contribui para restaurar a confiança nas instituições públicas. Além disso, a regularização dos pagamentos pendentes pelo Ministério da Juventude e Desporto, liderado por Caifadine Manasse, promove a estabilidade nas federações desportivas e permite um planeamento mais tranquilo das épocas desportivas futuras. No entanto, é crucial não apenas saldar dívidas passadas, mas também evitar a repetição de atrasos semelhantes no futuro, garantindo assim a sustentabilidade do desporto de alto rendimento.

Por: Virgílio Timana


A recente liquidação integral da dívida do Estado para com atletas nacionais, acumulada desde 2017, marca um momento relevante para o desporto moçambicano. O pagamento dos 30 milhões de meticais em falta, concluído com a transferência dos 50% remanescentes dos prémios devidos a 176 desportistas por títulos internacionais, encerra um longo ciclo de atrasos, reclamações e incertezas. Trata-se de um facto com impacto simbólico e prático, que merece ser analisado com equilíbrio.

Por um lado, o cumprimento desta obrigação financeira responde a uma reivindicação antiga e legítima. Os prémios por resultados internacionais não são favores: decorrem de regulamentos, contratos e compromissos assumidos pelo Estado. O atraso de oito anos fragilizou a confiança entre atletas e instituições, afectou a motivação de quem compete e transmitiu uma imagem de imprevisibilidade na gestão do sector. O fecho deste dossiê, agora liderado pelo Ministério da Juventude e Desporto, dirigido por Caifadine Manasse, representa um sinal de normalização administrativa e de respeito pelo mérito desportivo.

Há também um efeito estabilizador a considerar. Ao regularizar pagamentos pendentes, o Ministério reduz tensões nas federações e cria condições mais serenas para o planeamento das épocas desportivas. Para atletas que representaram Moçambique além-fronteiras, o reconhecimento financeiro, ainda que tardio, valida o esforço realizado e pode contribuir para restaurar a confiança nas instituições públicas. Neste sentido, o acto tem um alcance que vai além do valor monetário: reabre canais de diálogo e reforça a previsibilidade. Contudo, a conclusão deste processo não deve ser vista como um ponto final, mas como um ponto de partida. A questão central não é apenas pagar o que estava em atraso, mas também evitar que atrasos semelhantes se repitam. O desporto de alto rendimento depende de calendários, contratos claros e fluxos financeiros estáveis.

Em suma, a liquidação da dívida desde 2017 é um passo positivo e necessário. Corrige uma injustiça, estabiliza relações e sinaliza capacidade de resposta institucional. O desafio que se segue é transformar este gesto num padrão de actuação, garantindo que o mérito desportivo seja reconhecido com regularidade e que o desporto nacional avance com menos sobressaltos e maior previsibilidade.

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