27.1 C
New York
Thursday, February 12, 2026
InícioEconomiaOMC defende debate sobre princípio da Nação Mais Favorecida em meio a...

OMC defende debate sobre princípio da Nação Mais Favorecida em meio a pressão por reformas

Resumo

Ngozi Okonjo-Iweala, Diretora-Geral da OMC, apela a uma discussão sobre reformas estruturais, incluindo o princípio da Nação Mais Favorecida, antes da conferência ministerial de março. Este princípio, que garante tratamento igualitário entre membros, está a ser questionado pelos EUA e pela UE, num contexto de crescente fragmentação do comércio global. A erosão do MFN ilustra a tensão estrutural na OMC, com a conferência nos Camarões a debater reformas para revitalizar a instituição. Para economias em desenvolvimento como Moçambique, uma possível revisão do MFN pode aumentar as assimetrias negociais e complexidade do comércio internacional, num cenário de rivalidades geopolíticas e regionalização dos fluxos comerciais. O debate na OMC poderá redefinir não só as regras do comércio global, mas também o equilíbrio de poder no sistema multilateral.

Ngozi Okonjo-Iweala apela a discussão sobre regra central da OMC antes da conferência ministerial de Março, num contexto de tensões comerciais crescentes

A Directora-Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, instou os Estados-membros a iniciarem uma discussão aberta sobre possíveis reformas estruturais da organização, incluindo o seu princípio basilar da Nação Mais Favorecida (Most Favoured Nation – MFN). A informação foi avançada pela Reuters .

Falando em Genebra, a responsável sublinhou que “o status quo não é suficiente”, defendendo que, num contexto de incerteza geopolítica e fragmentação económica, os ministros do comércio devem ter a coragem de debater inclusive os princípios fundacionais do sistema multilateral.

O apelo surge num momento particularmente sensível para a OMC, que enfrenta questionamentos quanto à sua relevância futura, à medida que acordos comerciais e decisões estratégicas passam, cada vez mais, a ser negociados fora do quadro multilateral.

O que está em causa no princípio MFN

O princípio da Nação Mais Favorecida constitui um dos pilares da OMC e estabelece que qualquer vantagem comercial concedida por um membro a outro deve ser automaticamente estendida a todos os demais membros da organização.

No entanto, os Estados Unidos, em documento de posição apresentado em Dezembro, defenderam que o MFN já não se adequa a um sistema comercial moderno, sugerindo uma transição para medidas diferenciadas e mais recíprocas. A posição norte-americana reflecte uma tendência mais ampla de reconfiguração estratégica do comércio internacional, particularmente após a imposição de tarifas generalizadas pelo Presidente Donald Trump.

Também a União Europeia tem sinalizado abertura para rever o alcance do princípio. Num artigo publicado no Financial Times em Janeiro, o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, defendeu que os países deveriam poder ajustar tarifas com maior flexibilidade quando as suas economias se encontrem ameaçadas, acrescentando que o acesso a tarifas reduzidas “não pode ser incondicional”.

Fragmentação crescente do comércio global

Dados da própria OMC indicam que a percentagem do comércio mundial realizada sob termos MFN caiu de cerca de 80% para 72% após a imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos à maioria dos seus parceiros comerciais.

Este declínio ilustra uma erosão progressiva da universalidade do princípio e reforça a percepção de que o sistema multilateral atravessa um período de tensão estrutural.

A discussão deverá ganhar centralidade na conferência ministerial agendada para Março, nos Camarões, onde os membros da organização deverão analisar um programa de reformas com vista a revitalizar a instituição, que completa 30 anos.

Implicações para economias em desenvolvimento

Para economias em desenvolvimento e dependentes do comércio externo, como Moçambique, a eventual flexibilização ou revisão do MFN pode ter implicações relevantes. O princípio garante previsibilidade e igualdade formal de tratamento, factores que têm sido determinantes para países com menor poder de negociação bilateral.

A eventual transição para um sistema mais baseado na reciprocidade diferenciada poderá aumentar a complexidade do comércio internacional e reforçar assimetrias negociais, num contexto já marcado por rivalidades geopolíticas e crescente regionalização dos fluxos comerciais.

O debate que agora se abre na OMC poderá, assim, redefinir não apenas as regras formais do comércio global, mas também o equilíbrio de poder dentro do sistema multilateral.

Fonte: O Económico

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu nome aqui
Por favor digite seu comentário!

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

Um recém-nascido está deitado em uma incubadora em um hospital de maternidade na Ucrânia, cercado por equipamentos médicos, como monitores e sistemas de oxigênio. A cena destaca as necessidades críticas de cuidados de saúde em meio ao conflito em curso e danos à infraestrutura.

Ucrânia: ataques a infraestruturas essenciais agravam riscos para grávidas e recém-nascidos

0
Ataques a infraestruturas críticas na Ucrânia afetam gravemente mulheres grávidas e recém-nascidos, com cortes de eletricidade, aquecimento e água a atingir...
- Advertisment -spot_img