Resumo
O ouro continuou a subir acima de 5.000 dólares por onça nesta segunda-feira, impulsionado por um dólar mais fraco e pela expectativa de cortes de juros nos EUA. Investidores estão cautelosos antes dos novos dados de emprego, com a prata mostrando um lado especulativo nos metais preciosos. O foco agora está no relatório de emprego de Janeiro, que pode influenciar a política monetária do Fed e o preço do ouro. A possibilidade de cortes de juros a partir de Junho e a procura contínua por ouro por parte de bancos centrais e investidores sustentaram o mercado em 2025. O dólar mais fraco e a busca por pechinchas acima de 5.000 dólares estão a impulsionar o ouro, num cenário onde o câmbio favorável pode continuar a beneficiar os metais preciosos.
Com o “nonfarm payrolls” de Janeiro marcado para quarta-feira, o mercado volta a calibrar expectativas de cortes de juros em 2026, enquanto a prata evidencia a face mais especulativa do actual ciclo de metais preciosos.
O ouro prolongou a recuperação esta segunda-feira, 09 de Fevereiro, voltando a negociar acima de 5.000 dólares por onça, numa sessão marcada por enfraquecimento do dólar e por uma crescente aversão a assumir posições direccionais antes dos novos dados do emprego nos Estados Unidos. O movimento ocorre depois de um avanço de 4% na sexta-feira e ganha densidade num pano de fundo em que investidores tentam conciliar (i) sinais de abrandamento no mercado laboral norte-americano, (ii) expectativas de cortes de juros a partir de meados do ano, e (iii) uma procura estrutural por ouro que, em 2025, foi fortemente sustentada por bancos centrais e investimento financeiro.
O gatilho imediato: dólar mais fraco e “bargain-hunting” acima de 5.000
De acordo com a Reuters, o ouro à vista subiu 1,3% para 5.026,04 dólares por onça, enquanto os futuros norte-americanos (Abril) avançaram 1,4% para 5.046,10 dólares. O catalisador táctico foi a descida do dólar para mínimos desde 04 de Fevereiro, factor que torna os metais cotados em dólares relativamente mais baratos para investidores fora dos EUA e tende a estimular recomposição de posições (“bargain-hunting”). (Reuters)
A leitura do mercado, nesta fase, é menos sobre “euforia” e mais sobre assimetria de risco: após a volatilimas semanas no complexo de metais, muitos participantes preferem voltar ao ouro de forma gradual, sobretudo quando o câmbio oferece uma janela táctica favorável.
Emprego e Fed: o dado que pode reescrever o “pricing” de Junho
O foco passa agora para o relatório de emprego não-agrícola (Janeiro), agendado para quarta-feira (adiado por paralisação parcial do Governo, segundo a Reuters). Uma surpresa em baixa tende a reforçar a tese de que a Reserva Federal poderá iniciar cortes por volta de Junho, cenário normalmente construtivo para o ouro, já que a descida das taxas reduz o custo de oportunidade de deter um activo que não paga juros.
O pano de fundo ficou mais nítido depois de declarações recentes de Mary Daly (Fed de São Francisco) apontando para a possibilidade de “um ou dois” cortes adicionais, em resposta a fragilidades no mercado de trabalho.
Em paralelo, indicadores de mercado sugerem um dólar menos dominante no curto prazo: o índice DXY é reportado em torno de 97,6 nesta sessão, reforçando a ideia de que o câmbio, por si só, pode continuar a funcionar como vento de cauda para os metais, caso os próximos dados macro confirmem arrefecimento.
O pilar estrutural: bancos centrais e investimento sustentaram 2025
Para além do “timing” da Fed, há uma variável mais lenta — e muitas vezes mais poderosa — a actuar por baixo do preço: a procura estrutural por ouro. O World Gold Council indica que as compras de bancos centrais permaneceram historicamente elevadas em 2025 (863 toneladas, dentro do intervalo alto esperado), enquanto a procura de investimento teve um salto acentuado, com aumento expressivo em ETF, barras e moedas.
Isto ajuda a explicar por que razão, mesmo com preços recorde, o ouro tem conseguido “reorganizar” a procura em vez de a destruir por completo: a componente de diversificação e protecção (contra riscos macro e geopolíticos) continua activa em vários blocos económicos.
Prata: o lado mais nervoso do ciclo, com retalho a “segurar” o fluxo
Se o ouro se apresenta como reserva de valor com suporte macro, a prata tem-se comportado como activo híbrido — metal precioso e instrumento de risco. Esta segunda-feira, a prata subiu cerca de 4% (para a zona de 81 dólares/onça, segundo a Reuters), após um salto próximo de 10% na sessão anterior.
A Financial Times acrescenta um elemento crucial: apesar de quedas abruptas recentes, investidores de retalho canalizaram cerca de 430 milhões de dólares para o iShares Silver Trust (SLV) em poucos dias, num padrão típico de “comprar a queda” que amplifica a volatilidade e cria movimentos rápidos, por vezes dissociados do fundamental de curto prazo.
Em suma, o comportamento da prata está a sinalizar que o mercado ainda está a “limpar” excessos — e que a procura, neste caso, pode ser mais especulativa do que defensiva, o que aumenta a probabilidade de oscilações bruscas antes de se estabilizar um novo equilíbrio.
O que fica em aberto
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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">A direcção mais provável no curto prazo depende menos de opiniões e mais de duas leituras objectivas: (i) se o mercado de trabalho dos EUA confirma perda de dinâmica suficiente para justificar cortes mais cedo; e (ii) se o dólar mantém a trajectória de enfraquecimento. Se ambos os factores se alinharem, o ouro poderá consolidar acima de 5.000 com maior convicção. Se, pelo contrário, o emprego surpreender em alta e “empurrar” yields para cima, o ouro pode voltar a testar suportes, num mercado ainda sensível a mudanças rápidas de narrativa.
Fonte: O Económico





