Resumo
Vários países europeus, incluindo Portugal, Bélgica, Suécia e França, mobilizaram um total de 93 toneladas de ajuda humanitária para apoiar Moçambique após as cheias que afetaram mais de 724 mil pessoas. A União Europeia coordenou esta ação de emergência, com o objetivo de passar da resposta imediata para a recuperação dos meios de subsistência das populações afetadas. Além disso, as organizações humanitárias estão a intensificar as suas intervenções no terreno, com destaque para a distribuição de sementes agrícolas para cerca de 4 mil famílias na província de Sofala. Este apoio visa ajudar na recuperação produtiva das comunidades afetadas, enquanto se aponta para a reconstrução e resiliência do país, num esforço conjunto da Equipa Europa e da União Europeia em colaboração com as autoridades moçambicanas.
Vários países europeus anunciaram o reforço da resposta humanitária a Moçambique face ao impacto das cheias registadas em Janeiro, que provocaram 27 mortos e afectaram mais de 724 mil pessoas. Portugal, Bélgica, Suécia e França mobilizaram ajuda de emergência no quadro de uma acção coordenada da União Europeia, enquanto organizações humanitárias intensificam intervenções no terreno, sinalizando uma transição gradual da resposta imediata para a recuperação dos meios de subsistência das populações afectadas.
Europa mobiliza ajuda de emergência coordenada
À margem da entrega oficial de ajuda humanitária, realizada em Maputo, o embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, sublinhou que o apoio europeu pretende demonstrar solidariedade efectiva com o país em momentos críticos. Apesar de Portugal enfrentar igualmente cheias no seu território, o país mobilizou 21 toneladas de bens, reafirmando disponibilidade para apoiar Moçambique sempre que necessário.
A França contribuiu com 10 toneladas de material de emergência, destacando que uma resposta coordenada com as autoridades locais pode fazer uma diferença significativa na vida das comunidades mais vulneráveis. O embaixador francês, Yann Pradeau, confirmou ainda que a Cruz Vermelha Francesa prepara uma nova expedição de ajuda humanitária ao país.
A Suécia enviou tendas e mantas destinadas a beneficiar cerca de 1.400 pessoas, enquanto a Bélgica avançou igualmente com 10 toneladas de apoio humanitário, defendendo uma resposta rápida, solidária e coordenada. No total, os quatro países europeus mobilizaram 93 toneladas de bens, num esforço enquadrado na abordagem conjunta da Equipa Europa.
União Europeia aponta para reconstrução e resiliência
Durante o evento, o embaixador da União Europeia em Moçambique assegurou que os 27 Estados-membros estão já a trabalhar com as autoridades moçambicanas não apenas na resposta de emergência, mas também na fase de reconstrução, num contexto em que as cheias voltaram a expor fragilidades estruturais do país.
A secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manso, reconheceu a importância do apoio internacional desde o primeiro apelo lançado pelo Governo, sublinhando que os esforços estão agora orientados para a reposição da normalidade e a reconstrução do tecido social nas comunidades que “perderam tudo”.
Resposta humanitária avança para recuperação produtiva
Paralelamente à ajuda internacional, organizações humanitárias intensificaram a sua actuação no terreno. A Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique anunciou a distribuição de sementes agrícolas para cerca de 4 mil famílias afectadas pelas inundações na província de Sofala, a partir de 10 de Fevereiro.
O apoio inclui culturas como feijão, amendoim, milho, cebola, repolho e folha de abóbora, destinadas a famílias dos distritos de Nhamatanda e Buzi, regiões severamente afectadas pelas cheias. Em áreas consideradas críticas, como Guara-Guara, a intervenção inclui igualmente alimentos e instrumentos de produção agrícola, beneficiando 851 famílias.
Segundo Dino Foi, presidente da fundação, a iniciativa insere-se numa estratégia de resposta que vai além da assistência imediata, procurando apoiar a retoma da produção agrícola e a recuperação dos meios de subsistência das comunidades.
Impacto humanitário com implicações económicas
Dados do INGD indicam que, além das vítimas humanas, as cheias afectaram centenas de escolas, unidades sanitárias, estradas e pontes, com impacto directo na actividade económica local, na segurança alimentar e na pressão sobre as finanças públicas.
Desde o início da época chuvosa, em Outubro, Moçambique regista 201 mortos e mais de 852 mil pessoas afectadas, evidenciando o carácter cumulativo dos choques climáticos e a necessidade de integrar a resposta humanitária numa abordagem mais ampla de resiliência económica e social.
Entre emergência e reconstrução
O reforço do apoio europeu e a intensificação das acções humanitárias no terreno sinalizam uma resposta que começa a evoluir da emergência imediata para a recuperação. Contudo, a recorrência das cheias volta a colocar no centro do debate a necessidade de investimento estrutural em infra-estruturas resilientes, agricultura adaptada ao clima e mecanismos de financiamento capazes de reduzir o custo económico das calamidades naturais.
Fonte: O Económico






