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PELO REGIME DO “APARTHEID”: Passam hoje 45 anos da agressão a Matola 

JORDÃO CORNETA

O ANO era 1981, madrugada do dia 30 de Janeiro, quando a cidade da Matola, província de Maputo, acordava sacudida por estrondos e iluminada de chamas por todas as latitudes, gerando desespero profundo aos residentes da urbe, num dos episódios mais negros do país que se preparava para comemorar o quinto ano da sua independência nacional.

A independência de Moçambique foi proclamada no dia 25 de Junho de 1975, no  Estádio da Independência Nacional, anteriormente conhecido como Estádio da Machava, proclamada pelo primeiro Presidente do novo Estado, Samora Moisés Machel, que sempre considerou a instabilidade dos países vizinhos como ameaça à soberania da jovem nação.

Era a materialização da “Operação Beanbag”,um ataque militar na Matola levado a cabo pelas Forças de Defesa da África do Sul (SADF), autorizado pelo então primeiro-ministro do governo minoritário do “Apartheid”, Pieter Botha, que dominava aquele país vizinho.

A missão visava destruir as residências e matar os membros refugiados do braço armado do Congresso Nacional Africano (ANC),  o “” (MK), que encontravam abrigo em Moçambique, de onde organizavam os seus ataques aos alvos do regime. 

A investida boer, uma das acções mais marcantes do regime segregacionista, resultou na morte de 15 membros do ANC, um técnico português, este confundido com Joe Slove, político sul-africano dos principais oponentes do “Apartheid” e três soldados sul-africanos, num dos eventos mais brutais contra o movimento de libertação.

Relatos indicam que no ataque de 30 de Janeiro de 1981, os mercenários boers entraram disfarçados com uniforme de tropas moçambicanas e estavam pintados com tinta preta, tendo realizado bombardeamentos coordenados e simultâneos em três residências dos membros do ANC, localizadas em pontos distintos da cidade da Matola.

Esta agressão sangrenta à soberania moçambicana, repercutiu por toda esfera internacional e foi objecto de indignação e reprovação no concerto das nações,  gerando uma onda de arrepio face ao atropelo das normas mais elementares dos direitos humanos e do Direito Internacional.

Os militantes perecidos neste ataque foram a enterrar no Cemitério de Lhanguene no dia 14 de Fevereiro do mesmo ano, onde mais uma vez, os moçambicanos demonstraram a sua solidariedade e irmandade, chorando pelo sangue derramado no ataque daquela madrugada fatídica.

Foram dias muito difíceis que se seguiram, numa altura em que o país digeria o sabor da independência nacional. Moçambique pagava assim, a factura da sua determinação em prosseguir na luta pela libertação da região Austral e de todo o continente africano.

Essa determinação atraía a fúria do regime racista sul-africano que vigorava na altura e que procurava, de todas as formas, perseguir e assassinar os militantes de um dos mais antigos movimentos de libertação em África, o ANC, que tinha em Moçambique a sua retaguarda da sua luta.

A humildade, bondade e hospitalidade que sempre caracterizaram os moçambicanos custaram a vida de inocentes, pois além dos alvos previamente definidos, que eram as residências dos refugiados, várias outras infra-estruturas foram impiedosamente destruídas.

Apesar da agressão, a solidariedade para com o povo sul-africano não cessou, o que culminou com a vitória do ANC e consequente desmoronamento do “Apartheid” naquele país. As residências atacadas foram reabilitadas e transformadas para continuarem a servir os interesses dos moçambicanos.

 

Fonte: Jornal Noticias

 

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