Resumo
Os preços do petróleo caíram cerca de 1% devido às negociações nucleares entre os EUA e o Irão, reduzindo receios de conflito no Médio Oriente. O Brent estava a US$71 por barril e o WTI a US$65,75. Teerão está disposto a concessões no programa nuclear em troca do levantamento de sanções. A decisão de Trump de aumentar tarifas para 15% gerou incerteza no comércio global. O mercado petrolífero equilibra-se entre geopolítica e procura global, com o Goldman Sachs prevendo excedente em 2026. O banco estima o Brent a US$60 e o WTI a US$56 no final de 2026, mas alerta para riscos descendentes se as sanções ao Irão ou Rússia forem levantadas.
Diplomacia Nuclear Reduz Prémio De Risco
O Brent negociava nos US$71 por barril, em queda de 76 cêntimos, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) recuava 75 cêntimos para US$65,75 .
A descida ocorre após o anúncio de que Washington e Teerão realizarão na quinta-feira, em Genebra, uma terceira ronda de conversações nucleares. Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr Albusaidi, o encontro poderá abrir espaço para avanços diplomáticos .
Um alto responsável iraniano indicou à Reuters que Teerão está disposto a fazer concessões no seu programa nuclear, desde que haja levantamento de sanções e reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio .
Na avaliação de Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights, o Brent incorpora pelo menos US$10 por barril de prémio de risco associado ao Irão, mas enquanto persistir a ameaça de acções militares norte-americanas na região, será difícil observar uma queda substancial .
Tarifas E Crescimento Global
Em paralelo, o Presidente Trump anunciou no fim-de-semana que elevará a tarifa provisória sobre importações de 10% para 15%, reacendendo incerteza quanto ao comércio internacional .
Segundo Tony Sycamore, analista da IG Markets, a notícia gerou fluxos de aversão ao risco, visíveis no ouro e nos futuros accionistas norte-americanos, o que acabou por pressionar os preços do crude .
A China declarou estar a avaliar plenamente a decisão judicial norte-americana sobre tarifas e apelou à remoção de medidas unilaterais impostas aos parceiros comerciais .
Mercado Reequilibra Entre Risco Geopolítico E Procura Global
O mercado petrolífero entra assim numa fase de reequilíbrio delicado entre a redução do prémio de risco associado ao Irão e as incertezas sobre o crescimento global. Se, por um lado, o avanço das negociações nucleares tende a aliviar pressões geopolíticas incorporadas nas cotações, por outro, o agravamento da política tarifária norte-americana introduz novos riscos para a dinâmica da procura mundial de energia.
Num contexto em que o Goldman Sachs antecipa excedente global em 2026, a trajectória dos preços dependerá da evolução simultânea das negociações EUA–Irão, do eventual levantamento de sanções e da intensidade do abrandamento económico global.
Para economias importadoras líquidas, o actual nível de preços poderá representar alívio inflacionário. Já para países exportadores, incluindo produtores africanos, a manutenção de um Brent em torno dos US$70 coloca pressão sobre receitas fiscais e balanças externas, exigindo prudência orçamental e maior diversificação económica.
Perspectivas Para 2026
O Goldman Sachs projecta que o mercado global de petróleo deverá permanecer em excedente em 2026, assumindo ausência de disrupção significativa relacionada com o Irão .
O banco reviu em alta as suas previsões para o quarto trimestre de 2026, fixando o Brent em US$60 e o WTI em US$56 por barril, mais US$6 face à estimativa anterior, citando níveis mais baixos de inventários da OCDE .
Contudo, eventual levantamento de sanções ao Irão ou à Rússia poderá acelerar o aumento da oferta global, introduzindo riscos descendentes adicionais de US$5 a US$8 nos preços projectados para o final de 2026.
Fonte: O Económico






