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Saturday, February 7, 2026
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Petróleo Recupera Com Tensão Geopolítica Entre EUA e Irão a Voltar ao Centro do Mercado

Resumo

Os preços do petróleo encerraram em alta na sexta-feira, impulsionados pelos receios de escalada militar no Médio Oriente após conversações inconclusivas entre os EUA e o Irão, mediadas por Omã. O Brent subiu 0,74%, para 68,05 dólares por barril, e o WTI avançou 0,41%, para 63,55 dólares, revertendo perdas iniciais. O nervosismo geopolítico e a incerteza estrutural na oferta global influenciaram os preços, com o Estreito de Ormuz a representar um risco sistémico devido ao trânsito de petróleo. Contudo, expectativas de excesso de oferta e ambiente financeiro avesso ao risco limitaram os ganhos semanais, com a Arábia Saudita a reduzir os preços do crude e o Cazaquistão a enfrentar reduções nas exportações. O mercado permanece dividido entre riscos geopolíticos e fundamentos estruturais frágeis.

Receios de escalada militar no Médio Oriente inverteram perdas registadas no início da sessão, num mercado ainda pressionado por expectativas de excesso de oferta e ajustamentos estratégicos da OPEP+.

Os preços internacionais do petróleo encerraram a sessão de sexta-feira em alta, revertendo a trajectória negativa registada nas primeiras horas de negociação, à medida que os mercados reagiram com cautela ao desfecho inconclusivo das conversações entre os Estados Unidos e o Irão, mediadas por Omã. A persistência do risco geopolítico voltou a assumir um papel determinante na formação dos preços, num contexto global marcado por incertezas estruturais do lado da oferta.

Nervosismo geopolítico volta a sustentar os preços

De acordo com a Reuters, o Brent valorizou 0,74%, fixando-se nos 68,05 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) norte-americano avançou 0,41%, para 63,55 dólares. Ambos os contratos tinham registado quedas na negociação nocturna, mas inverteram o sentido ao longo da sessão nos Estados Unidos, chegando a subir mais de um dólar por barril antes de moderarem os ganhos no fecho.

As conversações entre Washington e Teerão, realizadas com mediação de Omã, terminaram sem um entendimento claro sobre a redução das tensões. O Irão defende que o diálogo se limite ao seu programa nuclear, ao passo que os Estados Unidos pretendem alargar a agenda a questões relacionadas com mísseis balísticos e o apoio iraniano a grupos armados na região, divergência que manteve os investidores em estado de alerta.

“Há um vai-e-vem constante em torno do dossiê iraniano. Num momento a percepção melhora, no seguinte deteriora-se. É um nervosismo permanente de status quo”, afirmou John Kilduff, parceiro da Again Capital, sublinhando a volatilidade induzida pela incerteza geopolítica.

Estreito de Ormuz como risco sistémico

O potencial impacto de uma escalada militar continua a ser amplificado pela centralidade do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo. A via marítima é crucial para as exportações da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e do próprio Irão, tornando qualquer perturbação um risco imediato para o equilíbrio do mercado global.

Fundamentos continuam a limitar ganhos

Apesar da recuperação diária, o desempenho semanal dos preços foi condicionado por expectativas persistentes de excesso de oferta e por um ambiente financeiro global mais avesso ao risco. Analistas apontam ainda para o impacto da decisão da Arábia Saudita de reduzir, pelo quarto mês consecutivo, o preço oficial de venda do crude Arab Light para a Ásia, fixando-o em níveis próximos de mínimos de cinco anos.

A pressão adicional resulta igualmente das perspectivas de redução das exportações do Cazaquistão, que poderão cair até 35% este mês através da sua principal rota via Rússia, à medida que o campo gigante de Tengiz recupera gradualmente de incêndios registados em infra-estruturas energéticas no mês de Janeiro.

No conjunto, o mercado petrolífero permanece dividido entre riscos geopolíticos de curto prazo, que tendem a sustentar os preços, e fundamentos estruturais mais frágeis, que poderão reacender pressões baixistas caso as tensões no Médio Oriente venham a aliviar-se.

Fonte: O Económico

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