Escalada dos protestos no Irão e agravamento das tensões no conflito Rússia-Ucrânia reacendem preocupações com a oferta, apesar de sinais persistentes de excesso global de crude.
Os preços internacionais do petróleo registaram novos ganhos no início da semana, impulsionados pelo agravamento da instabilidade no Irão e pela persistência de riscos geopolíticos associados ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia. O movimento reflecte uma reavaliação dos riscos de oferta por parte dos mercados, num contexto em que as preocupações com um eventual excesso global de crude continuam, ainda assim, a limitar o potencial de valorização.
Irão volta ao centro das atenções do mercado
A intensificação dos protestos no Irão reacendeu os receios de uma possível disrupção na produção e exportação de crude de um dos maiores produtores da OPEC. O país exporta perto de dois milhões de barris por dia, pelo que qualquer perturbação relevante teria impacto imediato no equilíbrio global entre oferta e procura.
Analistas sublinham que, embora ainda não se registem interrupções concretas, o risco político tem sido suficiente para manter os mercados em alerta, influenciando as posições especulativas e o comportamento dos investidores.
Conflito Rússia-Ucrânia reforça prémio de risco
Em paralelo, o agravamento do conflito entre a Russia e a Ukraine, incluindo ataques a infra-estruturas energéticas, voltou a introduzir um prémio geopolítico nos preços do petróleo. Embora a produção russa continue a fluir, o risco de disrupções indirectas mantém-se como um factor de suporte aos preços.
Inventários elevados travam ganhos mais robustos
Apesar do contexto de risco, dados recentes indicam que os inventários globais de petróleo permanecem em níveis confortáveis, alimentando a percepção de que o mercado poderá enfrentar um cenário de excesso de oferta ao longo de 2025. Este factor tem funcionado como travão a uma recuperação mais sustentada dos preços, mesmo perante choques geopolíticos relevantes.
A própria OPEP registou uma ligeira redução da produção no último mês, com quedas mais pronunciadas no Irão e na Venezuela, mas ainda insuficientes para inverter completamente a dinâmica de oferta.
Venezuela regressa ao radar político
Outro elemento de incerteza reside na situação da Venezuela, onde a Administração norte-americana, liderada por Donald Trump, avalia novos mecanismos de controlo e comercialização do crude venezuelano. O mercado aguarda clarificações sobre como os volumes acumulados poderão ser colocados no mercado e que impacto terão sobre o equilíbrio global.
Perspectivas continuam marcadas pela volatilidade
No curto prazo, o mercado petrolífero deverá continuar a oscilar entre dois pólos: por um lado, riscos geopolíticos crescentes no Médio Oriente e na Europa de Leste; por outro, fundamentos que apontam para abundância de oferta e procura moderada.
Para países exportadores e importadores de energia, o actual enquadramento reforça a incerteza quanto à trajectória dos preços em 2025, num ambiente global cada vez mais sensível a choques políticos e estratégicos.
Fonte: O Económico






