Por: Gentil Abel
O Presidente da República, Daniel Chapo, aproveitou a cerimónia de relançamento do projecto de gás natural liquefeito (GNL) da Área 1, liderado pela TotalEnergies, para abordar a situação actual em Cabo Delgado, província que durante anos foi marcada por ataques insurgentes. Chapo criticou a visão que associa a província exclusivamente ao terrorismo, afirmando que os ataques agora são esporádicos e que os insurgentes já não controlam nenhuma vila.
Segundo o chefe de Estado, a presença conjunta das Forças de Defesa e Segurança (FDS), do Ruanda e da SADC, cuja missão terminou em Julho de 2024, contribuiu para reduzir significativamente a capacidade dos grupos armados, que actualmente limitam-se a actividades de rapto de pessoas para exigir resgate. Este cenário, segundo o chefe do Estado, sinaliza um regresso à normalidade após anos de grave insegurança, incluindo a ocupação de Mocímboa da Praia, a principal vila da província, que chegou a servir como quartel-general dos terroristas. Outras vilas também foram conquistadas na altura, lembrando a dimensão da crise enfrentada.
No entanto, o Presidente destacou que a percepção negativa da província ainda gera efeitos colaterais. Muitos jovens têm hesitado em aproveitar as oportunidades de emprego criadas pelo projecto de GNL, temendo insegurança. Chapo enfatizou que actualmente o empreendimento emprega cerca de cinco mil pessoas, das quais 80% são moçambicanos e 40% destes são naturais de Cabo Delgado. A expectativa é que, na fase intermédia de construção, sejam criados cerca de 10 mil postos de trabalho, e no pico do projecto, 15 mil empregos, beneficiando principalmente a população local.
Assim sendo, Cabo Delgado mostra sinais de recuperação e de integração económica, mas o desafio agora é consolidar a confiança da população e atrair investimento, aproveitando as oportunidades que surgem no sector energético. O discurso do Presidente reflecte uma tentativa de equilibrar a narrativa: reconhecer os avanços na segurança, ao mesmo tempo em que se sublinha o potencial económico da província, cujo desenvolvimento depende tanto da estabilidade como da participação activa da comunidade local






