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Preços Do Lítio Disparam Após Zimbabué Suspender Exportações De Concentrado

Resumo

Os preços internacionais do lítio subiram mais de 6% devido à suspensão das exportações de minerais brutos e concentrados de lítio pelo Zimbabué, levando a receios de restrição na oferta global. O Governo zimbabueano antecipou a proibição das exportações para promover o beneficiamento local dos recursos minerais, visando capturar mais valor na cadeia produtiva. Empresas chinesas têm investido fortemente no país, mas a decisão levanta preocupações sobre a estabilidade da cadeia global de fornecimento de minerais estratégicos, como o lítio. Analistas alertam para a possível intensificação da volatilidade dos preços e impacto nas decisões de investimento em setores dependentes deste recurso crítico. A medida do Zimbabué reflete uma tendência de países produtores em reforçar o controlo sobre recursos estratégicos, com implicações para a região da África Austral.

Cotação Em Guangzhou Sobe Mais De 6% Com Receios De Restrição De Oferta; Harare Acelera Estratégia De Beneficiamento Local

Os preços internacionais do lítio registaram uma forte valorização depois de o Governo do Zimbabué anunciar a suspensão imediata das exportações de todos os minerais brutos e concentrados de lítio, incluindo cargas actualmente em trânsito .

O contrato mais negociado de carbonato de lítio na Bolsa de Futuros de Guangzhou, na China, subiu 6,07%, para 178.020 yuan (cerca de 26.043 dólares) por tonelada, após ter atingido um pico intradiário superior a 9% . A reacção dos mercados reflecte receios de restrição na oferta global num momento em que a procura por baterias para veículos eléctricos e sistemas de armazenamento de energia continua a intensificar-se.

Estratégia De Beneficiamento E Valor Acrescentado

O executivo liderado pelo ministro das Minas e Desenvolvimento Mineiro, Polite Kambamura, justificou a decisão com a necessidade de reforçar a transparência, combater práticas irregulares nas exportações e acelerar o beneficiamento local dos recursos minerais .

A proibição das exportações de concentrado de lítio estava inicialmente prevista para Janeiro de 2027, mas foi antecipada, sinalizando uma mudança estratégica na política mineira do país . O Governo pretende pressionar as empresas mineiras a processarem e refinarem o mineral localmente, capturando maior valor na cadeia produtiva.

O Zimbabué detém as maiores reservas de lítio em África e exportou 1,128 milhões de toneladas de concentrado de espoduménio em 2025, um aumento de 11% face ao ano anterior . A maior parte deste volume teve como destino a China, onde grandes empresas investiram fortemente no sector.

Dependência Da China E Reconfiguração Da Cadeia Global

Companhias chinesas como Zhejiang Huayou Cobalt, Sinomine, Chengxin Lithium Group e Yahua realizaram investimentos significativos no Zimbabué nos últimos anos . A Huayou construiu recentemente uma unidade avaliada em 400 milhões de dólares para transformar concentrado de lítio em sulfato de lítio, enquanto a Sinomine anunciou planos para investir 500 milhões de dólares numa nova unidade de processamento na mina de Bikita .

A suspensão das exportações levanta questões sobre a estabilidade da cadeia global de fornecimento num contexto em que o acesso a minerais estratégicos se tornou prioridade geopolítica. Lítio e terras raras desempenham papel central na transição energética, na indústria automóvel eléctrica e em equipamentos tecnológicos e militares.

Volatilidade E Decisões De Investimento

Analistas apontam que a decisão poderá intensificar a volatilidade dos preços, influenciando decisões de investimento em sectores dependentes desta matéria-prima crítica . Desde o segundo semestre de 2025, as expectativas de expansão do mercado de armazenamento energético já vinham impulsionando uma trajectória ascendente nas cotações.

A medida do Zimbabué insere-se numa tendência mais ampla de países produtores que procuram reforçar controlo sobre recursos estratégicos, promovendo transformação local e reduzindo fugas na cadeia de valor.

Implicações Para África Austral

Para a região da África Austral, a decisão poderá reconfigurar fluxos comerciais e incentivar outros países produtores a adoptarem políticas semelhantes de industrialização mineira.

O sector mineiro representa 14,3% do Produto Interno Bruto do Zimbabué, sendo o segundo maior contributo para a economia nacional depois da indústria transformadora . A aposta na transformação local poderá aumentar receitas fiscais e criar empregos, mas também introduz riscos de curto prazo para investidores e compradores internacionais.

Num mercado global já marcado por tensões geopolíticas e competição por minerais estratégicos, a decisão de Harare reforça o papel do lítio como activo crítico da nova economia energética.

Fonte: O Económico

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