Brent e WTI registam a terceira subida semanal consecutiva, sustentados por riscos geopolíticos, apesar de um quadro global de excesso de oferta projectado para 2026.
Os preços internacionais do petróleo registaram nova subida esta sexta-feira, impulsionados por receios crescentes de disrupções na oferta provenientes da Venezuela e do Irão, num contexto de renovada tensão geopolítica. O movimento coloca o crude no caminho para a terceira valorização semanal consecutiva, apesar das expectativas de um mercado global excedentário em 2026.
O Brent, referência para os mercados internacionais, avançou 40 cêntimos, ou 0,7%, para 62,39 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) ganhou 35 cêntimos, ou 0,6%, fixando-se em 58,11 dólares. Na véspera, ambos os contratos haviam subido mais de 3%, recuperando de duas sessões consecutivas de perdas. Em termos semanais, o Brent caminha para uma valorização de 2,7%, enquanto o WTI acumula um ganho de 1,4%.
Segundo analistas de mercado, a recente subida dos preços está ligada sobretudo à incerteza em torno do fornecimento de crude sancionado, num momento em que sinais de procura estável compensam, temporariamente, o cenário de excesso de oferta previsto para o próximo ano. “Estrangulamentos no fluxo de barris sob sanções e sinais de procura consistente estão a contrariar, por agora, o pano de fundo de um mercado excedentário em 2026”, referiu Priyanka Sachdeva, analista sénior da Phillip Nova.
No centro das atenções está a situação na Venezuela, após declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que Washington passará a controlar o sector petrolífero venezuelano. A perspectiva de uma alteração profunda no regime de exportações do crude venezuelano, até aqui vendido com desconto devido às sanções, reacendeu preocupações quanto à continuidade do fornecimento.
Fontes do sector indicam que grandes empresas energéticas e casas de trading internacionais, como a Chevron, a Vitol e a Trafigura, estão a disputar contratos com o Governo norte-americano para exportar crude da Venezuela. Estão em causa até 50 milhões de barris acumulados em inventários da petrolífera estatal PDVSA, num contexto de embargo severo e apreensão de navios-tanque.
Em paralelo, distúrbios civis no Irão, um dos principais produtores do Médio Oriente, aumentaram os receios de interrupções adicionais na oferta, enquanto persistem preocupações sobre um eventual alargamento do conflito Rússia-Ucrânia que possa afectar as exportações de petróleo russo. Estes factores reforçam o prémio de risco geopolítico nos mercados energéticos.
Apesar do actual impulso, vários analistas alertam que a trajectória ascendente dos preços poderá encontrar limites nos próximos meses. O aumento das reservas globais e as projecções de excesso de oferta em 2026 continuam a actuar como travão estrutural a subidas mais pronunciadas, sugerindo que a actual valorização poderá ser sensível a qualquer dissipação das tensões geopolíticas.
Fonte: O Económico






