Resumo
A proposta da Organização dos Trabalhadores de Moçambique (OTM) para a revisão do Regulamento do Sistema de Segurança Social Obrigatória inclui a criação de um subsídio de desemprego para trabalhadores com contratos suspensos por motivos de força maior, visando evitar crises sociais em tempos de instabilidade económica. Esta medida, discutida em encontros com diversos setores, pretende não só garantir rendimento temporário, mas também manter os laços laborais e reduzir a pressão sobre as famílias em momentos difíceis. Além disso, a proposta abrange uma revisão mais ampla das políticas de proteção social, com o objetivo de reduzir a vulnerabilidade dos trabalhadores e melhorar a cobertura do sistema face aos desafios económicos e laborais do país. Este movimento estratégico visa fortalecer a segurança social em Moçambique, promovendo a proteção dos trabalhadores e a sustentabilidade económica, demonstrando que a segurança social é essencial para garantir dignidade e apoio às famílias moçambicanas em momentos de adversidade.
O debate sobre a revisão do Regulamento do Sistema de Segurança Social Obrigatória é uma proposta que merece atenção: a criação de um subsídio de desemprego para trabalhadores com contratos suspensos por motivos de força maior. A Organização dos Trabalhadores de Moçambique (OTM–Central Sindical) defende que esse mecanismo, com duração entre seis e 12 meses, pode representar uma rede de proteção essencial para evitar que crises econômicas se transformem em desastres sociais.
A proposta da OTM surge em meio a encontros com representantes do Governo, do sector privado, do sector informal e da sociedade civil, conduzidos pelo Secretário de Estado na Cidade de Maputo, Vicente Joaquim. O objectivo declarado é tornar o sistema mais abrangente e ajustado à realidade actual do trabalho no país, promovendo diálogo aberto e transparente sobre questões centrais para a vida dos trabalhadores.
Para a OTM, a implementação de um subsídio de desemprego não se limita a assegurar renda temporária. Trata-se também de preservar vínculos laborais e reduzir a pressão sobre as famílias em períodos de crise. Como explicou Boaventura Sibinde, da CONSILMO, a legislação actual deixa o trabalhador sem rendimento quando o contrato é suspenso, aumentando sua vulnerabilidade social. Garantir um sustento mínimo durante esses períodos permitiria que empresas enfrentassem dificuldades econômicas sem recorrer a despedimentos em massa, promovendo estabilidade econômica e social.
Além disso, a proposta da OTM sugere uma revisão mais ampla das políticas de proteção social. Isso inclui aumentos na pensão de velhice, criação de subsídios de pobreza e melhorias nas prestações existentes para doença, maternidade, invalidez e morte. A meta é clara: reduzir a vulnerabilidade dos trabalhadores e ampliar a cobertura de um sistema que ainda enfrenta desafios para acompanhar a realidade econômica e laboral do país.
A relevância desta iniciativa vai além de uma simples medida de assistência temporária. Ela representa um movimento estratégico para fortalecer a segurança social em Moçambique, alinhando proteção ao trabalhador com sustentabilidade econômica.
Em um país onde muitos vivem com contratos instáveis e enfrentam a incerteza do dia a dia, políticas como essa não são apenas números em um regulamento: elas significam alimento na mesa, dignidade e a tranquilidade de saber que, em momentos difíceis, não estarão sozinhos.
A proposta da OTM nos lembra que a segurança social vai além de estatísticas ou burocracia; ela é sobre pessoas, pais e mães, trabalhadores e trabalhadoras que precisam sentir que seus direitos e esforços são protegidos. Para que isso aconteça, é fundamental manter um diálogo aberto e constante entre governo, empresas e representantes dos trabalhadores, construindo soluções que realmente façam diferença na vida das famílias moçambicanas. Um subsídio de desemprego não é apenas desejável: é um gesto concreto de justiça e cuidado social.






