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Sunday, February 1, 2026
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Prós e contras de Chiquinho Conde nos Mambas

Chiquinho Conde termina o seu consulado à frente da selecção nacional de futebol, a 31 de Janeiro, depois de ter conduzido os destinos da equipa de todos nós ao longo de quatro anos, ou seja, para ser mais preciso, desde Outubro de 2021, com uma renovação ocorrida em Agosto de 2024, depois de muita polémica e intervenção da então Presidente da República, Filipe Nyusi, através da Secretaria de Estado do Desporto. Foi uma relação agridoce, tanto para o treinador moçambicano, quanto para a estrutura directiva da federação, pois várias vezes as duas partes “lavaram roupa suja em praça pública”.

 

Por Alfredo Júnior

 

Quase ano e meio depois de ter ficado sem treinar, foi para substituir o português Horácio Gonçalves que Conde chegou ao cargo de Seleccionador Nacional pela mão de Feizal Sidat, Presidente da FMF, que o tirou do desemprego depois de ter deixado o Vitória de Setúbal B, em Junho de 2020, clube no qual teve a primeira experiência como treinador em Portugal, depois de orientar vários emblemas moçambicanos, casos do Maxaquene, Desportivo Maputo, Ferroviário de Maputo, Vilankulo FC e União Desportiva do Songo.

 

O consulado de Chiquinho Conde foi marcado por momentos de tensão entre a federação e o selecionador, após o presidente da FMF, Feizal Sidat acusar o técnico de ser "ingrato", depois de o treinador reclamar a falta de condições, sendo que a renovação ocorrida em 2024 mereceu a intervenção do então Presidente da República, Filipe Nyusi.

 

PRO DE CONDE NOS MAMBAS

 

A presença de Chiquinho Conde nos Mambas foi marcada por momentos que levaram os adeptos dos Mambas a voltarem a sorrir com o desempenho da sua selecção nacional, como foi a qualificação para o CHAN-2022 (realizado em 2023), prova na qual Moçambique teve um desempenho notável no torneio para jogadores locais, registando um empate (0-0) com Etiópia, vitória (3-2) a Líbia e derrota (0-1) diante da Argélia, qualificando-se para os quartos-de-final da competição, culminando na eliminação contra Madagáscar (3-1) na sétima edição do torneio, naquela que foi a segunda participação dos Mambas.

 

Após este desempenho, Conde conseguiu qualificar os Mambas para o CAN-2023 (realizado em Janeiro de 2024 na Costa do Marfim), tendo empatado 2-2 na estreia com o Egipto, seguindo-se uma derrota por 3-0 frente a Cabo Verde, terminando a prova com novo empate a duas bolas frente ao Gana, sendo que Moçambique voltou a não passar da fase de grupos da prova.

 

No CAN-2025 realizado no Marrocos, Moçambique saiu derrotado 1-0 no jogo de estreia frente à Costa do Marfim, depois conquistou uma vitória histórica frente ao Gabão (3-2), encerrando a fase de grupos com uma derrota frente aos Camarões por 2-1 , mas foi eliminado após a pesada derrota com a Nigéria (4-0), nos 'oitavos'.

 

Já na qualificação para o Mundial-2026, que vai ser disputado nos Estados Unidos, no Canadá e no México, os Mambas mantiveram-se na luta pelo apuramento até às últimas jornadas, mas falharam o apuramento directo, ao terminar no terceiro lugar do Grupo G, com 18 pontos, atrás de Argélia (25) e Uganda (18), registando-se duas derrotas por goleadas sofridas frente aos argelinos (5-1) e ugandeses (4-0).

 

CONTRAS DE CONDE NOS MAMBAS

 

Como nos referimos, a passagem de Chiquinho Conde nos Mambas teve um sabor agridoce, sendo que a parte negativa do seu consulado está relacionada com as constantes crispações com a Direcção da Federação Moçambicana de Futebol, parte azeda que frequentemente era exposta pelo treinador que em algumas das ocasiões violava parte dos termos do contrato rubricado com a entidade empregadora.

 

Ao longo dos quatro anos Conde teve uma relação defeituosa com a estrutura da FMF, aparecendo em praça pública a tecer críticas à gestão federativa, mesmo sem ter antes explorado mecanismos internos de resolução das questões que o apoquentavam.

Enquanto timoneiro dos Mambas, as suas convocatórias foram marcadas por vários questionamentos e contestação por parte da opinião pública e pelos adeptos do futebol, sobretudo por chamar para a equipa de todos nós jogadores com rendimento questionável tanto nos seus clubes quanto nos Mambas, o que fez com que Conde fosse perdendo o controle do balneário.

 

Tal facto evidenciou-se sobretudo aquando do afastamento das convocatórias do capitão Elias Gaspar Pelembe, ou simplesmente Dominguez, situação que acabou criando desgaste da sua imagem na praça pública, devido a aparições descabidas para se queixar de tudo e mais alguma coisa. Vale lembrar que o regresso de Dominguez aos Mambas após longos meses de ausência só foi possível após forte pressão da opinião pública e intervenção dos capitães dos Mambas (Mexer, Reinildo e Edmilson) que obrigaram o seleccionador nacional a mudar a sua posição de afastamento de uma figura que nutre admiração por parte dos adeptos do futebol nacional.  

No período em que esteve no comando técnico dos Mambas, Conde foi protagonista de  actos de ingerência em assuntos que não lhe dizem respeito enquanto treinador, como a definição de locais de estágio, escolha de hotéis, entre outros, demonstrando uma obsessão por Portugal por outros factores não desportivos, colidindo com o papel de um gestor na organização desportiva, assumindo tarefas que cabiam a FMF, acabando por interferir em decisões administrativas sem olhar para a base da relação custos/benefícios.

Durante o período em que foi seleccionador nacional, Conde demonstrou ter uma relação defeituosa com a Direcção Técnica da FMF, colocando-se alheio ao trabalho desenvolvido nas selecções de base, sobretudo a de Sub-17 e Sub-20, chegando a subestimar a qualidade, mais valia do pessoal da Direcção e dispensando os serviços dos técnicos afectos a este importante e estratégico braço federativo.

 

A comunicação social também foi alvo de tratamento bipolar por parte de Chiquinho Conde que só demonstrava ser afável com os jornalistas que cobriam as actividades dos Mambas quando quisesse passar mensagens do seu exclusivo interesse, como os ataques à estrutura directiva da FMF, olhando com estranheza a presença dos mesmos homens dos Media quando em missões fora do país, ao ponto de exigir que os mesmos nunca ficassem hospedados nas mesmas unidades hoteleiras que os Mambas.

 

Vale lembrar que foi na vigência de Chiquinho Conde que os Mambas registaram o maior número de greves, sendo no total de cinco, destacando-se a que se registou na Argélia durante a participação no CHAN-2023, causando inclusive embaraços diplomáticos, bem como a que se registou em Novembro do ano passado em Marrocos por alegada existência de um cachet de 3 milhões de dólares americanos pagos para o amigável com os Leões do Atlas . O comum destas greves era a reivindicação por dinheiro além do acordado previamente, manifestações que foram protagonizadas pelos jogadores e que foram assistidas de forma impávida e serena por parte de Chiquinho Conde que, na qualidade de líder da equipa, nada fazia para impedi-las. (LANCEMZ)

 

 

 

 

Fonte: Lance

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