InícioNacionalSociedadeQuatro famílias vítimas de incêndio em Chamanculo vivem quase ao relento

Quatro famílias vítimas de incêndio em Chamanculo vivem quase ao relento

Resumo

Quatro famílias do bairro Chamanculo C, em Maputo, perderam tudo num incêndio no domingo passado e agora dependem da ajuda de vizinhos para sobreviver. As autoridades municipais são apeladas a intervir. As famílias, desalojadas e sem bens, enfrentam dificuldades, com crianças a serem afetadas, como o caso de Lina Chilaule, cuja filha não pôde ir à escola por falta de material. O incêndio, causado por um curto-circuito, levou os bombeiros a chegarem tarde, devido a problemas de acesso e comunicação. Este não é o primeiro incidente na área, com um caso semelhante em 2021. A má ligação elétrica é apontada como causa recorrente. As famílias aguardam agora um futuro incerto, enquanto pedem mais colaboração da população para prevenir tragédias semelhantes.

Quatro famílias vivem de favor de vizinhos e pessoas de boa fé, depois de perderem suas casas e  bens, num incêndio registado na madrugada de domingo último, no bairro Chamanculo C, na cidade de Maputo. As famílias pedem intervenção das autoridades municipais.

A madrugada de domingo último foi fatal para quatro famílias, que viram seus lares serem reduzidos a nada pela fúria do fogo, no bairro Chamanculo C, cidade de Maputo.  

Alfredo Pedro é uma das vítimas do incêndio. Perdeu tudo, como conta.

“O que escapou são as pessoas, mas de bens, negativo. Nada escapou. Estamos de luto, conforme pode ver. Assim, estamos à espera do Governo”, desabafou.     

Três dias depois da tragédia, as famílias continuam a viver praticamente ao relento, dependendo da boa vontade dos vizinhos, até para passar refeições. 

“Roupa de vestir, os vizinhos é que nos dão. Os vizinhos oferecem matas, lenços, capulanas, blusas, etc. Para dormir, pedimos favor aos vizinhos, mas não é certo, entrar em casa de uma pessoa com a sua família, quando ela também tem família, dormir no mesmo sítio, custa muito”, desabafou. 

Sem tempo para tirar nada das casas, as crianças já começam a se ressentir do drama.

“A minha filha, de 15 anos, estuda na Escola Secundária Armando Guebuza, na 10a classe. Chama-se Lura Moisés Bangane. Perdi tudo, não consegui tirar nem documentos, nem cadernos escolares. Hoje ela não foi à escola, mas foi alguém para justificar a sua ausência, por falta de cadernos e uniforme”, disse Lina Chilaule, uma das vítimas.

O futuro para estas famílias é , agora, incerto. 

O incêndio foi provocado por um curto circuito e os bombeiros confirmam o facto, apesar de não terem estado lá, durante o sinistro e há uma razão para isso. Eles chegaram depois de debelado o fogo, por isso foram escorraçados. 

O porta-voz do SENSAP aponta os acessos às residências e a comunicação tardia como uma das causas de alguns atrasos ou ausências dos bombeiros. 

“Não há nenhum sistema de GPS que permita uma monitoria constante na cidade de Maputo para ver o que vai acontecer em qualquer situação de incêndio, então tem que haver uma comunicação, tem que haver uma informação que vai chegar ao SENSAP”.

Por isso apela a população a colaborar mais.

Este não é o primeiro caso de incêndio que destroi residências no bairro Chamanculo. O primeiro caso, e mais mediático, aconteceu em 2021, cujo saldo foi de 22 casas completamente consumidas pelo fogo no bairro de Chamanculo D. E a má ligação da corrente elétrica sempre esteve por detrás das principais causas dos incêndios.  

Fonte: O País

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