InícioInternacionalRD Congo: Violência sexual como tática de guerra gera “sofrimento indescritível”

RD Congo: Violência sexual como tática de guerra gera “sofrimento indescritível”

Resumo

Na República Democrática do Congo, foram registadas 2.560 violações de direitos humanos afetando 6.760 vítimas, com a maioria nas províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul, Ituri e Maniema. Nos últimos cinco meses, ocorreram cerca de 600 execuções sumárias, resultando na morte de mais de 1,3 mil pessoas, e estima-se que 1,5 mil foram sequestradas. A violência inclui casos de tortura, estupro e outros tratamentos desumanos, afetando 1,2 mil vítimas. Cerca de 450 vítimas de violência sexual e de género, incluindo crianças, foram reportadas desde outubro. A crise humanitária no país mantém-se grave, com 6,5 milhões de deslocados internos e 4,2 milhões de retornados. Pelo menos 13 trabalhadores humanitários foram mortos desde janeiro de 2025. ONU destaca a necessidade de recursos humanitários para enfrentar as crescentes necessidades da população afetada.

A vice alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, Nada Al-Nashif, revelou que foram registradas 2.560 violações de direitos humanos afetando 6.760 vítimas na República Democrática do Congo, RD Congo.

Falando no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, a representante disse que a vasta maioria das vítimas está nas províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul, Ituri e Maniema. O número real é significativamente mais alto.

Cerca de 600 execuções sumárias

Apenas nos últimos cinco meses, foram documentadas cerca de 600 execuções sumárias que provocaram a morte de mais de 1,3 mil pessoas. Estima-se que 1,5 mil  foram sequestradas durante o mesmo período. 

A violência incluindo casos de tortura, estupro e outros tratamentos desumanos fizeram outras 1,2 mil vítimas.

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CDH/Anne-Marie Colombet

Nada Al-Nashif fala de cerca de 450 vítimas de violência sexual e de gênero incluindo contra crianças

Para as Nações Unidas, “o uso persistente da violência sexual como tática de guerra inflige sofrimento indescritível” às mulheres e meninas congolesas.

Desde outubro, foram cerca de 450 vítimas de violência sexual e de gênero incluindo contra crianças. Segundo o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, houve uma escalada de casos contra crianças. 

Situação congolesa como prioridade

Na reunião do Conselho, o vice-representante especial do secretário-geral para a RD Congo, Bruno Lemarquis, solicitou que o Conselho siga priorizando o país.

Outro pedido é que o órgão controle de perto as violações e os abusos, além de apoiar os esforços para preservar o espaço cívico e proteger os defensores dos direitos humanos.

Para ele, por trás de cada estatística há um rosto, uma história, uma vida que merece dignidade e justiça.

Morte de trabalhadores humanitários 

A crise humanitária congolesa continua a ser uma das mais graves, complexas e negligenciadas do mundo. Em finais de janeiro, o país tinha 6,5 ​​milhões de deslocados internos e 4,2 milhões de retornados.

A ONU destacou que a situação prevalecerá enquanto os recursos humanitários continuarem insuficientes para atender às crescentes necessidades das populações afetadas.

De acordo com as Nações Unidas, pelo menos 13 trabalhadores humanitários foram mortos desde janeiro de 2025 em meio à escalada da violência.

Fonte: ONU

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