Wednesday, January 7, 2026
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Riscos Fiscais das Autarquias Evidenciam Fragilidades Estruturais na Governação Financeira Local

Resumo

Relatório oficial revela forte dependência das autarquias moçambicanas em transferências do Estado, baixa execução das receitas próprias, rigidez na despesa corrente e défices operacionais recorrentes. As finanças municipais representam um risco fiscal significativo em Moçambique, com fragilidades estruturais persistentes na composição das receitas e gestão da despesa. Transferências do Orçamento do Estado são a principal fonte de financiamento das autarquias, representando mais de 50% das receitas na maioria dos municípios analisados. Receitas próprias, como impostos e taxas, têm execução abaixo do previsto, devido a limitações na base tributária e capacidade administrativa. Despesas correntes consomem a maior parte dos orçamentos municipais, levando a cortes na despesa de investimento devido à volatilidade das receitas.

Relatório oficial revela forte dependência de transferências do Estado, baixa execução das receitas próprias, rigidez da despesa corrente e défices operacionais recorrentes nas autarquias.

As finanças das autarquias continuam a representar um foco relevante de risco fiscal em Moçambique. O Relatório de Análise de Riscos Fiscais das Autarquias evidencia fragilidades estruturais persistentes na composição das receitas, na execução orçamental e na gestão da despesa municipal, factores que limitam a autonomia financeira local e podem gerar pressões adicionais sobre as finanças públicas nacionais .

Transferências dominam o financiamento municipal

De acordo com o relatório, as transferências do Orçamento do Estado constituem a principal fonte de financiamento das autarquias, representando, em média, mais de 50% das receitas totais na maioria dos municípios analisados. Em vários casos, esta proporção é ainda mais elevada, sobretudo em autarquias de menor dimensão económica.

Este padrão revela uma dependência estrutural do nível central, reduzindo a autonomia financeira municipal e expondo as autarquias a riscos de tesouraria sempre que se verificam atrasos ou ajustamentos nas transferências.

Receitas próprias com fraca execução

Os dados do relatório mostram que as receitas próprias municipais — impostos, taxas e licenças — apresentam níveis de execução sistematicamente abaixo do orçamentado. Em diversos municípios, a execução situa-se abaixo dos 70% da previsão anual, reflectindo limitações na base tributária local, informalidade económica e fragilidades na capacidade administrativa de cobrança.

A volatilidade destas receitas compromete a previsibilidade orçamental e dificulta o planeamento financeiro de médio prazo, obrigando frequentemente a cortes ou adiamentos na despesa de investimento.

Estrutura da despesa revela rigidez elevada

No lado da despesa, o relatório indica que as despesas correntes absorvem a maior fatia dos orçamentos autárquicos, frequentemente acima de 65% da despesa total. Salários, funcionamento e encargos administrativos concentram a execução orçamental, deixando uma margem reduzida para investimento em infra-estruturas, saneamento, mobilidade urbana e serviços básicos.

Esta rigidez limita a capacidade de ajustamento das autarquias face a choques de receita e aumenta a vulnerabilidade financeira em contextos de desaceleração económica.

Défices operacionais e riscos de liquidez

O documento identifica a existência de défices operacionais recorrentes em várias autarquias, resultantes do desfasamento entre receitas efectivamente arrecadadas e despesas comprometidas. Em consequência, registam-se atrasos no pagamento a fornecedores e prestadores de serviços, configurando riscos de liquidez e potenciais passivos contingentes.

Estes desequilíbrios, quando persistentes, podem exigir intervenções correctivas do Estado central, transformando-se em riscos fiscais indirectos para o Orçamento do Estado.

Fragilidades institucionais amplificam riscos

O relatório destaca ainda debilidades nos sistemas de gestão financeira municipal, incluindo insuficiências nos sistemas de informação, fraca articulação entre planeamento e orçamento e limitações na capacidade técnica dos quadros locais. Estes factores contribuem para desvios frequentes entre orçamento aprovado e execução efectiva, reduzindo a transparência e a responsabilização fiscal.

Um risco local com impacto nacional

Do ponto de vista macrofiscal, o relatório é claro ao sublinhar que a materialização dos riscos fiscais ao nível das autarquias pode gerar pressões adicionais sobre as finanças públicas nacionais, sobretudo num contexto de consolidação fiscal exigente e de espaço orçamental limitado.

O reforço da arrecadação de receitas próprias, a melhoria da eficiência da despesa e o fortalecimento da capacidade institucional municipal surgem como condições essenciais para reduzir vulnerabilidades e garantir a sustentabilidade financeira do sector autárquico.

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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">Mais do que um problema local, o documento deixa uma mensagem inequívoca: a estabilidade macrofiscal de Moçambique depende também da solidez financeira das suas autarquias.

Fonte: O Económico

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