Thursday, January 8, 2026
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Riscos Fiscais: Medidas De Mitigação Exigem Execução Rigorosa E Coordenação Institucional

Resumo

O Relatório do III Trimestre de 2025 destaca avanços no enquadramento técnico dos riscos fiscais, mas salienta que a eficácia depende da disciplina orçamental, da governação das empresas públicas e da capacidade de agir. Identifica medidas para conter vulnerabilidades nas finanças públicas, reconhecendo progressos na sua sistematização e monitorização. No entanto, alerta que a mitigação dos riscos requer qualidade na execução, coordenação institucional e reforço da disciplina fiscal. O relatório realça avanços no mapeamento e acompanhamento dos riscos fiscais, com foco em passivos contingentes, garantias públicas, setor empresarial do Estado e choques macroeconómicos adversos. Aponta o setor empresarial do Estado como fonte principal de vulnerabilidade fiscal, destacando fragilidades na sustentabilidade financeira, governação e transparência, com impacto no Orçamento do Estado. Propõe reforço da supervisão financeira e melhoria da informação reportada para mitigar riscos.

Relatório do III Trimestre de 2025 reconhece avanços no enquadramento técnico dos riscos, mas sublinha que a eficácia dependerá da disciplina orçamental, da governação das empresas públicas e da capacidade de transformar diagnósticos em acção concreta

O Relatório da Dinâmica dos Riscos Fiscais referente ao III Trimestre de 2025 identifica um conjunto de medidas destinadas a conter vulnerabilidades persistentes das finanças públicas, reconhecendo progressos na sua sistematização e monitorização, mas alertando que a verdadeira mitigação dos riscos dependerá, sobretudo, da qualidade da execução, da coordenação institucional e do reforço efectivo da disciplina fiscal.

Da Identificação Do Risco À Prova Da Execução Orçamental

O relatório evidencia avanços relevantes no mapeamento e acompanhamento dos riscos fiscais, com particular incidência sobre os passivos contingentes, as garantias públicas, o sector empresarial do Estado e a exposição a choques macroeconómicos adversos. A consolidação deste enquadramento representa um passo importante face a práticas anteriores, marcadas por abordagens fragmentadas e reactiva.

Contudo, o documento é claro ao sublinhar que a identificação dos riscos, por si só, não é suficiente. A mitigação efectiva exige a incorporação sistemática destes riscos no ciclo orçamental, o reforço dos mecanismos de monitoria contínua e a capacidade de actuar preventivamente antes da sua materialização.

Sector Empresarial Do Estado Continua A Ser O Principal Vector De Vulnerabilidade Fiscal

O sector empresarial do Estado mantém-se como uma das principais fontes estruturais de risco fiscal. O relatório destaca fragilidades persistentes ao nível da sustentabilidade financeira, da governação e da transparência de várias empresas públicas, com impacto directo sobre o Orçamento do Estado.

As medidas de mitigação propostas apontam para o reforço da supervisão financeira, a melhoria da qualidade da informação reportada e a adopção de mecanismos de responsabilização mais exigentes. Estas orientações criam oportunidades para racionalizar a despesa pública e reduzir a dependência de transferências orçamentais, mas colocam igualmente desafios relevantes, sobretudo quando implicam processos de reestruturação, redefinição de mandatos ou ajustamentos operacionais sensíveis.

Garantias Públicas E Passivos Contingentes Exigem Abordagem Preventiva E Prudencial

Outro eixo central da análise incide sobre a gestão das garantias soberanas e dos passivos contingentes. O relatório defende uma abordagem mais prudente na concessão de garantias, sustentada em avaliações de risco mais rigorosas e num enquadramento estratégico claro da política de endividamento.

A adopção destas medidas representa uma oportunidade para reduzir choques inesperados sobre as contas públicas e melhorar a previsibilidade orçamental. No entanto, pressupõe uma mudança de paradigma na actuação do Estado, privilegiando a prevenção e a antecipação em detrimento de respostas tardias quando os riscos já se encontram materializados.

Mitigação Dos Riscos Como Oportunidade Para Reforçar Credibilidade E Previsibilidade Orçamental

Do ponto de vista estratégico, o conjunto de medidas delineadas no relatório cria condições para reforçar a credibilidade da política fiscal e consolidar a confiança dos parceiros de desenvolvimento e dos mercados financeiros. A integração mais sistemática dos riscos fiscais no planeamento orçamental pode contribuir para uma gestão mais realista das finanças públicas, reduzindo desvios recorrentes entre previsões e execução.

Este enquadramento oferece igualmente uma base mais sólida para alinhar política fiscal, política de endividamento e planeamento económico de médio prazo, num contexto em que a margem de manobra orçamental permanece limitada.

Limitações Institucionais E Choques Externos Mantêm Elevado O Grau De Exposição Fiscal

Apesar dos avanços reconhecidos, o relatório assinala a persistência de limitações institucionais, fragilidades na qualidade e tempestividade dos dados e elevada exposição a choques externos, incluindo riscos macroeconómicos e climáticos.

Estas vulnerabilidades condicionam a eficácia das medidas de mitigação e exigem um esforço continuado de reforço das capacidades técnicas do Estado, bem como maior articulação entre as entidades responsáveis pela gestão orçamental, financeira e macroeconómica.

Execução Como Teste Decisivo À Credibilidade Fiscal

Nas considerações finais, o relatório adopta um tom claro e assertivo ao sublinhar que a melhoria da gestão dos riscos fiscais é um processo contínuo, que exige vigilância permanente, compromisso político e responsabilização institucional.

O documento conclui que o desafio central não reside já na identificação dos riscos, hoje mais estruturada e abrangente, mas sim na capacidade de transformar diagnósticos recorrentes em medidas concretas, mensuráveis e efectivamente implementadas. É neste plano que se jogará a credibilidade da política fiscal e a sustentabilidade das finanças públicas no médio prazo.

Fonte: O Económico

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