Por: Alfredo Júnior
O sector bancário em Moçambique, decidiu manter inalterada a taxa de juro de referência para o crédito bancário em 15,70 % para o mês de Fevereiro de 2026, confirmou hoje o Banco de Moçambique (BdM) e a Associação Moçambicana de Bancos (AMB).
A decisão surge apesar da recente redução da taxa de política monetária (a chamada taxa MIMO) pelo Banco de Moçambique, que passou de 9,50 % para 9,25 % no final de Janeiro, numa tentativa de acomodar o crescimento económico e incentivar o crédito no mercado interno.
A Prime Rate, que serve de taxa de referência para os bancos comerciais definirem os juros praticados nos empréstimos às empresas e às famílias, irá manter-se em 15,70 % no mês de Fevereiro. A divulgação oficial foi feita no portal do Banco de Moçambique, que publica mensalmente o valor do indexante único e do prémio de custo que compõem esta taxa.
Esta decisão reflete a continuação de um ciclo de redução gradual da Prime Rate iniciado em 2024, depois de um período em que esteve em níveis historicamente elevados (acima de 24 %). A taxa tem vindo a descer de forma faseada ao longo dos últimos meses, acompanhando a trajectória da taxa MIMO e as condições macroeconómicas internas.
O sector bancário optou por manter a taxa de referência estável, mesmo após a redução da MIMO, reconhecendo que apenas reduzir esta taxa não necessariamente leva a um aumento imediato do crédito ou a melhores condições imediatas de financiamento para empresas e famílias.
A manutenção da Prime Rate em 15,70 % implica que os custos de crédito ao consumo e ao investimento empresarial deverão permanecer, no curto prazo, relativamente elevados no contexto doméstico. Apesar de a taxa MIMO ter sido reduzida, os bancos comerciais optaram por não traduzir essa redução em cortes adicionais na taxa de referência para o público, mantendo um nível de juros que garante algum grau de estabilidade nas operações de crédito.
Economistas e analistas financeiros destacam que essa estabilidade pode ajudar a preservar a confiança no sistema bancário e a controlar expectativas de inflação, mesmo num cenário em que os estímulos económicos através de crédito ainda não se traduzem em aumentos significativos na procura interna.




