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Thursday, February 12, 2026
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South32 confirma entrada da Mozal em “care and maintenance” apesar de lucro acima das expectativas

Resumo

A fábrica de alumínio Mozal, em Moçambique, da multinacional australiana South32, entrará em regime de “care and maintenance” devido a impasses energéticos, apesar de resultados financeiros positivos. A falta de contrato de energia sustentável levou à decisão, com a seca afetando a capacidade hidroelétrica moçambicana. A paralisação preocupa devido ao impacto no emprego e na economia do país. A empresa reportou lucros acima do esperado, mas a situação em Moçambique levou à mudança estratégica na produção de alumina. A dependência energética e a falta de contratos a longo prazo competitivos expõem fragilidades no modelo industrial moçambicano. O desfecho deste processo será crucial para a política energética e industrial do país em 2026.

Questões-Chave:

A multinacional australiana South32 confirmou que a fábrica de alumínio Mozal, em Moçambique, entrará em regime de “care and maintenance” já no próximo mês, apesar de ter apresentado resultados financeiros acima das expectativas no primeiro semestre fiscal. A informação foi avançada pela Reuters .

A decisão resulta de um impasse energético que se arrasta há vários meses. A empresa não conseguiu assegurar um contrato de fornecimento de energia eléctrica a preços considerados sustentáveis após Março de 2026, num contexto em que a seca afectou significativamente a capacidade da hidroeléctrica moçambicana. As negociações para um acordo alternativo com a sul-africana Eskom não chegaram a bom porto.

O CEO cessante da South32, Graham Kerr, afirmou que mesmo que um novo contrato fosse alcançado de imediato, já não existiriam condições operacionais para manter a unidade em funcionamento, face à escassez de insumos críticos como o pitch e o coke, indispensáveis ao processo de fundição.

A Mozal emprega mais de dois mil trabalhadores directos e número semelhante de contratados, sendo responsável por cerca de um terço dos empregos industriais do país, segundo a própria empresa. A paralisação da unidade levanta, por isso, preocupações significativas ao nível do emprego, da dinâmica exportadora e da arrecadação fiscal, num momento em que Moçambique procura reforçar a industrialização e consolidar a sua base produtiva.

Recorde-se que o Ministro da Energia, Estevão Pale, havia declarado recentemente que o Governo estava a fazer “tudo o que é necessário” para evitar que a unidade entrasse em manutenção. Ainda assim, a administração da South32 reiterou que a transição para “care and maintenance” é inevitável nas actuais circunstâncias.

No plano financeiro global, a empresa reportou lucros subjacentes de 435 milhões de dólares no semestre findo a 31 de Dezembro, superando as estimativas de mercado que apontavam para cerca de 386 milhões de dólares. As acções da companhia chegaram a valorizar até 5% após o anúncio dos resultados. No ano anterior, a South32 já havia registado uma imparidade de 372 milhões de dólares na operação moçambicana, reflectindo as incertezas em torno do fornecimento energético.

O alumina que seria processado pela Mozal deverá agora ser redireccionado para outras unidades do grupo, nomeadamente no Médio Oriente, evidenciando uma reconfiguração estratégica da cadeia global de produção.

Para Moçambique, o caso Mozal expõe fragilidades estruturais do modelo industrial assente em grandes projectos intensivos em energia. A dependência significativa da geração hidroeléctrica, particularmente num contexto de variabilidade climática crescente, e a ausência de contratos energéticos de longo prazo competitivos colocam desafios adicionais à estabilidade de investimentos de grande escala.

A eventual paralisação prolongada da unidade poderá ter reflexos não apenas económicos, mas também reputacionais, num período em que o país procura afirmar-se como destino industrial e atrair novos investimentos transformadores. O desfecho deste processo tenderá, assim, a assumir relevância estratégica para a política energética e industrial moçambicana em 2026.

Fonte: O Económico

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