Resumo
O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas suspendeu as operações em Baliet, Sudão do Sul, após ataques armados a um comboio humanitário que transportava 1,5 mil toneladas de alimentos e materiais. A carga foi saqueada e infraestruturas humanitárias em Jonglei foram destruídas, comprometendo a assistência a mais de 4,2 milhões de pessoas vulneráveis. A insegurança já levou à suspensão de planos de pré-posicionamento de alimentos. A crise regional agravou-se, com milhões de civis em risco de fome e deslocação, e acesso humanitário limitado. O coordenador de Ajuda de Emergência da ONU apelou à ação internacional para aumentar o apoio financeiro, pressionar por um cessar-fogo e garantir acesso humanitário em larga escala.
A agência condenou os incidentes e apelou à proteção imediata do espaço humanitário no país.
1,5 mil toneladas de assistência alimentar
Entre 30 de janeiro e 1 de fevereiro, um comboio do WFP, que transportava mais de 1,5 mil toneladas de auxílio alimentar essencial, foi alvo de vários ataques por jovens armados.
A carga, que incluía também itens não alimentares destinados a parceiros humanitários, acabou por ser saqueada pela comunidade em diferentes pontos do condado.
Segundo o WFP, as autoridades locais haviam fornecido garantias de segurança para a circulação do comboio. No entanto, o saque ocorreu durante a noite, sem qualquer intervenção das autoridades para impedir os ataques ou recuperar os bens roubados.
A agência sublinhou que suspenderá as operações em Baliet até que a segurança esteja assegurada e que o Governo do Sudão do Sul implemente medidas imediatas para recuperar os alimentos e materiais saqueados.
Infraestruturas humanitárias destruídas em Jonglei
O WFP manifestou ainda profunda preocupação com incidentes recentes no estado de Jonglei, onde confrontos armados entre forças governamentais e grupos da oposição afetaram gravemente infraestruturas humanitárias essenciais.
Armazéns, unidades de saúde e outras instalações foram destruídos em várias localidades, incluindo Akobo, Ayod, Nyirol e Uror, comprometendo a capacidade de resposta humanitária nessas áreas.
Assistência em risco
As restrições de acesso e os ataques a comboios humanitários ameaçam a capacidade do WFP de chegar a mais de 4,2 milhões de pessoas em situação de maior vulnerabilidade no Sudão do Sul.
A insegurança já forçou a agência a suspender os planos de pré-posicionamento de 12 mil toneladas métricas de alimentos antes da época das chuvas no estado de Jonglei.
No país, o WFP fornece assistência alimentar de emergência, apoio nutricional, refeições escolares, programas de resiliência e assistência em dinheiro, salvando vidas em contextos de conflito, deslocamento e choques climáticos.
Crise regional agrava riscos
Ainda sobre a região, o coordenador de Ajuda de Emergência da ONU, Tom Fletcher, alertou que o conflito brutal no Sudão, marcado por fome e deslocações em massa, empurra milhões de civis para uma crise cada vez mais profunda. O acesso humanitário permanece severamente limitado.
Fletcher afirmou que houve “demasiados dias de fome, de atrocidades brutais e de vidas destruídas”, sublinhando que mulheres e meninas continuam a enfrentar violência sexual extrema.
O chefe humanitário apelou à comunidade internacional para passar das palavras à ação, aumentando o apoio financeiro, pressionando por um cessar-fogo e garantindo acesso humanitário em larga escala.
Fonte: ONU






