Por: Gentil Abel
Presidente do partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane manifestou, esta semana, preocupação com aquilo que descreve como um uso desproporcionado de recursos públicos por parte do Governo, na sequência da realização de uma sessão do Conselho de Ministros na província de Gaza, numa altura em que o país enfrenta uma severa crise humanitária causada por cheias e chuvas intensas.
Em declarações à imprensa, à margem de uma análise sobre a situação climática nacional, Mondlane referiu que as inundações afetaram centenas de milhares de cidadãos, com maior incidência nas províncias do sul do país, nomeadamente Maputo e Inhambane. Segundo dados apresentados pelo político, mais de 150 mil famílias registam perdas significativas, incluindo a destruição de habitações e a perda de meios de subsistência.
O dirigente acrescentou que dezenas de milhares de residências ficaram submersas, muitas das quais totalmente destruídas, enquanto extensas áreas agrícolas foram severamente danificadas. Para Mondlane, este cenário agrava o risco de insegurança alimentar, sobretudo num período considerado crítico da época chuvosa.
Perante este contexto, o político questionou as despesas associadas a deslocações governamentais e a encontros de alto nível, defendendo que os fundos públicos deveriam ser direcionados, com caráter prioritário, para acções de assistência humanitária, reassentamento das populações afetadas e recuperação económica das zonas atingidas.
Mondlane apelou ainda ao Presidente da República para ponderar a convocação do Conselho do Estado, com vista à eventual declaração do estado de emergência em algumas das regiões mais afetadas pelas cheias, argumentando que a dimensão da crise exige respostas excecionais por parte do Estado.
Na sua avaliação, a actual situação expõe fragilidades na capacidade de planeamento e resposta do Executivo, sustentando que os impactos do desastre natural foram agravados por falhas institucionais e pela ausência de medidas preventivas eficazes.






