Por: Gentil Abel
Na zona de transição entre Maputo e a Matola, a via Mafureira–Khongolote, no Zimpeto, transformou-se, para moradores, motoristas e passageiros, num verdadeiro território de medo, onde a criminalidade dita regras e a autoridade parece ausente. Importa sublinhar que o que ali se vive não é um fenómeno recente, nem desconhecido das autoridades. Pelo contrário, trata-se de um problema antigo, repetidamente denunciado, mas sempre ignorado.
Com o cair da noite, sobretudo a partir das 20 horas, a circulação de transportes torna-se tímida. Ainda assim, motoristas e passageiros são obrigados a atravessar o troço, mesmo conscientes dos riscos. Nesse contexto, roubos à mão armada, violações sexuais, ameaças a condutores passaram a fazer parte do quotidiano. Há relatos de assaltos constantes, inclusive por volta das 19 horas, com carteiras, telemóveis e dinheiro roubados sem qualquer pudor.
Recentemente, um caso descrito por denunciantes como macabro voltou a expor a gravidade da situação. Uma senhora foi assaltada, despojada de todos os seus pertences e, num acto de crueldade extrema, teve os olhos perfurados com objectos contundentes, tudo na presença de uma criança de apenas 10 anos.
Segundo os moradores, as gangues são compostas maioritariamente por jovens locais, profundamente enraizados na zona. Tanto assim é que a iluminação pública foi vandalizada, criando um ambiente propício à criminalidade, um problema amplamente conhecido pelas autoridades, mas nunca resolvido.
Diante deste cenário, surge a pergunta inevitável: onde está a polícia? Os munícipes denunciam que, apesar do conhecimento da situação, não há patrulhas regulares no troço crítico. Em vez disso, os agentes posicionam-se em locais distantes, limitando-se a exigir Bilhetes de Identidade aos cidadãos. A polícia, que deveria proteger vidas, simplesmente não cumpre o seu papel.
Mais grave ainda são os relatos de indivíduos que se apresentam como agentes da SERNIC, utilizando viaturas diferentes, exigindo cartas de condução e livretes aos condutores. Quando confrontados e solicitados a apresentar identificação, esses supostos agentes colocam-se em fuga, levantando sérias suspeitas sobre abusos e usurpação de autoridade.
Assim sendo, os silêncios das autoridades policiais perante esta realidade levantam uma questão: Quantas vítimas mais serão necessárias para que a via Mafureira deixe de ser tratada como uma zona abandonada? Quantos gritos de socorro dos moradores terão ainda de ecoar até que alguém assuma responsabilidades?






