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XENOFOBIA NA ÁFRICA DO SUL: OPERAÇÃO DUDULA REACENDE O CONFRONTO DE AFRICANO CONTRA AFRICANO

Resumo

A África do Sul enfrenta há décadas ondas de violência xenófoba, destacando-se a Operação Dudula como exemplo recente de intensificação das tensões. Desde os anos 2000, discursos associando estrangeiros à criminalidade têm sido amplificados, levando a ataques anuais contra cidadãos de países como Moçambique, Zimbabwe e Nigéria. A Operação Dudula, embora alegue combater a criminalidade e a imigração irregular, tem sido criticada por promover estigmas e alimentar sentimentos xenófobos. Grupos ligados ao movimento pressionam comerciantes estrangeiros e entram em confronto direto com imigrantes, minando a coesão social. Esta situação é irónica, uma vez que africanos, outrora unidos contra opressores externos, agora se confrontam entre si. Para manter a coesão social e regional, a África do Sul precisa enfrentar as raízes da xenofobia de forma a honrar o ideal de "nação arco-íris".

Por: Gentil Abel

A África do Sul enfrenta há décadas um paradoxo doloroso. O país convive com ondas recorrentes de violência xenófoba, muitas vezes contra cidadãos africanos vindos de países vizinhos. Nesse contexto, nos últimos anos, a chamada Operação Dudula ganhou destaque, tornando-se um exemplo recente de como movimentos locais podem intensificar tensões já existentes.

Desta feita, a xenofobia sul-africana não é um fenómeno novo. Desde os primeiros grandes surtos de violência nos anos 2000, discursos que associam estrangeiros à criminalidade, à perda de empregos e à sobrecarga de serviços públicos têm sido amplificados por líderes comunitários, políticos e campanhas de desinformação. Assim, esse tipo de narrativa cria um terreno fértil para ataques que se repetem quase anualmente.

Como consequência, os principais alvos desses ataques são cidadãos de Moçambique, Zimbabwe, Malawi, Nigéria e outros países africanos. Muitos desses trabalhadores sustentam pequenas economias locais e contribuem para sectores como comércio informal, construção civil e serviços. Ainda assim, permanecem vulneráveis a agressões, destruição de propriedades e deslocamento forçado.

É neste cenário que surge a Operação Dudula. Embora o movimento afirme actuar contra a criminalidade e a imigração irregular, suas acções têm sido criticadas por organizações de direitos humanos e especialistas. Grupos vinculados ao movimento realizam inspeções em bairros, pressionam comerciantes estrangeiros a fechar portas e, em alguns casos, entram em confronto direto com imigrantes. Dessa forma, apesar de alegarem actuar em defesa da ordem pública, na prática reforçam estigmas e alimentam sentimentos xenófobos profundamente enraizados na sociedade.

E a ironia é evidente: africanos, outrora unidos contra opressores externos, agora se confrontam entre si, minando a coesão social e regional.

Por fim, se a África do Sul deseja honrar o ideal de “nação arco-íris”, precisa enfrentar as raízes da xenofobia de forma estruturada. Isso implica responsabilizar actos violentos e promover uma narrativa baseada em solidariedade, não em divisão. Enquanto africanos continuarem atacando outros africanos, o continente continuará a perder vidas, recursos e dignidade.

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