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Redução da Taxa de Juro e Coeficientes de Reservas Obrigatórias: É bom, mas precisa ser mais agressiva

A recente decisão do Banco de Moçambique de reduzir a taxa MIMO para 12,25% e os coeficientes de Reservas Obrigatórias (ROs) para 29% (moeda nacional) e 29,5% (moeda estrangeira) foi interpretada por analistas como uma medida positiva, mas ainda tímida no contexto da actual conjuntura económica.

É que, segundo analistas do sector financeiro, embora a inflação esteja dentro das metas estabelecidas, a procura por financiamento continua fraca, razão pela qual, defendem que o Banco de Moçambique poderia ter aliviado ainda mais a pressão sobre a oferta, permitindo maior circulação de liquidez no mercado e estimulando o crédito.

Outro ponto levantado é o Risk Appetite Statement (RAS), ou seja, o apetite de risco dos bancos comerciais face ao actual cenário macroeconómico. A redução da Prime Rate do Sistema Financeiro (SF), resultado da descida da taxa MIMO e da diminuição das Reservas Obrigatórias, terá um efeito positivo no custo do capital, mas ainda existe o desafio do comportamento dos bancos na concessão de crédito.

Sector Privado Quer Redução Mais Agressiva da Taxa MIMO

A decisão do Banco de Moçambique responde, em parte, a um reiterado apelo do sector privado, particularmente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA). O sector empresarial tem defendido uma política monetária mais expansionista para estimular a actividade produtiva e reduzir os custos de financiamento para empresas.

“A CTA sugere que o Banco de Moçambique continue com a redução da taxa MIMO e introduza taxas de juro especiais para o sector agrícola. Propostas adicionais feitas no final de 2024, incluiam a diminuição do coeficiente de reservas obrigatórias de 39% para 20% em meticais e de 5% em dólares americanos, o que daria maior liquidez aos bancos e aliviaria a pressão financeira sobre as empresas”, defendeu na altura o  Presidente da CTA, Agostinho Vuma.

Segundo o dirigente, o sector agrícola deve ser prioridade, pois é um pilar estratégico para a economia moçambicana. “Estas políticas são fundamentais para apoiar o sector agrícola, que é estratégico para a nossa economia”, explicou, enfatizando a necessidade de facilitar o crédito e estimular a actividade no sector primário.

Bancos Mantêm Estratégia Cautelosa

Os analistas acreditam que os bancos deverão manter uma estratégia conservadora no curto prazo, concentrando-se em três áreas principais:

1️⃣ Reestruturação de créditos não produtivos, visando reduzir riscos associados a carteiras de crédito problemáticas.
2️⃣ Reforço dos capitais próprios, garantindo maior robustez financeira perante cenários de incerteza económica.
3️⃣ Financiamento selectivo, priorizando empresas rentáveis e com perspectivas de crescimento sustentável.

Uma das maiores preocupações do sector bancário, segundo a análise, é a limitação no refinanciamento da dívida pública de curto prazo. O Estado enfrenta dificuldades para mobilizar receitas através de impostos e rendimentos de capital, incluindo dividendos, o que pode elevar o risco de default.

Diante deste cenário, o RAS dos bancos precisa considerar o binómio rentabilidade-retorno, avaliando com cautela os sectores e projectos que receberão financiamento.

A próxima reunião do Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique está marcada para 26 de Março de 2025, e a evolução da inflação, bem como a capacidade de resposta dos bancos, serão elementos-chave para futuras decisões.

Fonte: O Económico

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