Um estudo conduzido por investigadores do Instituto Nacional de Saúde e colaboradores, cujo objectivo principal era avaliar a frequência e os motivos de rejeição de candidatos à doação de sangue, nos bancos de sangue das províncias de Gaza e Inhambane, entre Dezembro de 2022 a Janeiro de 2024, revelou que o principal motivo de rejeição permanente de candidatos a doação de sangue era a suspeita ou confirmação de infecções por HIV, Hepatite B e C.
O estudo incluiu 3,863 candidatos à doação de sangue, dos quais 200 (5,2%) foram rejeitados na pré-entrevista (avaliação clínica e questionário ao candidato a doação de sangue). A pré-entrevista é uma etapa destinada a avaliar o estado de saúde do candidato à doação de sangue e o risco do mesmo ser portador de doenças transmissíveis por sangue. Dos candidatos rejeitados, 122 (3.2%) foram rejeitados temperoriamento (podendo voltar a doar sangue se o problema estiver resolvido) e tiveram a baixa hemoglobina (41%) e a suspeita de infeção por sífilis ou outra infecção de transmissão sexual (23%) como principais razões.
Por outro lado, 78 (2.0%) candidados à doação de sangue foram rejeitados permanentemente na pré-entrevista (inibidos de doar sangue em qualquer banco de sangue do país) e as principais razões foram o risco de infecção por Hepatites B e C (61.5%) e HIV (29.5%). A rejeição permanente baseada em testes laboratorias ao sangue doado (dadores aprovados no pré-inquerito) foi de 7.6% (295 positivos), sendo a positividade para Hepatite B (50.8%) e HIV (30.5%) as maiores razões de rejeição.
O estudo mostrou ainda que as mulheres têm maior risco de ser rejeitadas, quando comparadas aos homens. Por outro lado, os resultados não mostram diferença significativa do risco de rejeição entre dadores voluntários e os que doam sangue para suprir necessidades de um familiar ou próximo (dadores de reposição).
Os resultados deste estudo destacam a importância de incrementar o número de dadores voluntários regulares e saudáveis por meio do aprimoramento dos processos de avaliação clínica, selecção e retenção de candidatos à doação de sangue, com atenção especial às mulheres, que, devido a factores biológicos, têm menos oportunidades de doar em comparação aos homens.
O estudo foi realizado por Carina Nhachigule, coordenado por Nédio Mabunda, com participação de Odete Matola, Abras Munguambe, Amâncio Nhangave, Manuel Caetano, Osvaldo Loquiha.
Fonte: INS