A diferença na disponibilidade de medicamentos entre farmácias públicas e privadas tem chamado cada vez mais atenção. Nos hospitais e postos de saúde públicos, os pacientes frequentemente encontram prateleiras quase vazias, onde o paracetamol parece ser, em muitos casos, a única opção disponível. Por outro lado, nas farmácias privadas, a oferta é mais diversificada, incluindo antibióticos, vacinas, xaropes e suplementos disponíveis regularmente para quem pode pagar.
Esse contraste evidencia uma realidade complexa. Por um lado, o sistema público de saúde enfrenta desafios de logística, armazenamento e aquisição que impactam directamente a disponibilidade de medicamentos essenciais. Por outro, o sector privado, operando segundo mecanismos de mercado, consegue manter estoques regulares, mas com custos que podem limitar o acesso de grande parte da população. Assim sendo, a diferença entre os dois sectores não se resume à variedade de produtos, mas também à questão do acesso econômico.
Desta feita, para muitos cidadãos, a alternativa acaba sendo recorrer ao sector privado, desde que tenham condições financeiras para tal. Por conseguinte, a saúde deixa de ser apenas uma questão de atendimento médico e passa a ser, parcialmente, uma questão de poder aquisitivo.
Assim sendo, as soluções possíveis passam pela melhoria da gestão logística e pela transparência na distribuição de medicamentos. No entanto, é fundamental reconhecer os limites estruturais enfrentados pelo sector público, que opera com restrições orçamentárias e a necessidade de atender a uma população ampla e diversa.
Por fim, garantir que medicamentos essenciais estejam disponíveis para todos, independentemente da capacidade financeira, continua sendo um desafio central para o sistema de saúde em Moçambique.






