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Wednesday, January 14, 2026
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Alemanha minimiza ameaça dos EUA à Gronelândia e declara regime iraniano “no fim”

Por: Alfredo Júnior

A política externa alemã voltou a ocupar o centro do debate internacional após declarações que tocam em dois dos dossiês mais sensíveis da actual geopolítica: o futuro da Gronelândia e a estabilidade do regime iraniano.

Em Washington, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, reuniu-se com o seu homólogo norte-americano, Marco Rubio. No final do encontro, procurou desdramatizar as recentes insinuações vindas dos Estados Unidos sobre uma eventual acção em relação à Gronelândia, território autónomo sob soberania da Dinamarca e peça estratégica no tabuleiro do Árctico. Para Wadephul, as declarações que sugerem uma intervenção ou controlo directo norte-americano não devem ser encaradas como uma ameaça real e imediata. Na leitura alemã, trata-se mais de retórica política do que de um plano concreto de acção.

Ao minimizar o tom, Berlim tenta preservar dois princípios essenciais: a soberania dos Estados e a coesão da NATO. A Gronelândia, embora estratégica para a segurança e para as rotas do Árctico, continua a ser parte integrante do Reino da Dinamarca, e qualquer discussão sobre o seu futuro deve respeitar o direito dos seus habitantes e as normas do direito internacional. A Alemanha, ao colocar água fria no discurso mais agressivo, procura evitar que tensões verbais se transformem em fraturas políticas dentro da aliança atlântica.

Paralelamente, o Chanceler alemão, Friedrich Merz, adoptou um tom bem mais duro ao referir-se ao Irão. Em declarações recentes, afirmou que o regime iraniano está “efectivamente acabado”, sustentando que um poder que se mantém sobretudo pela repressão e pela violência perde, a médio prazo, qualquer base de legitimidade. A frase não é apenas retórica: ela reflecte a avaliação de que as crises internas, a pressão económica e o isolamento diplomático estão a corroer as fundações do sistema político em Teerão.

Estas duas posições revelam a lógica que hoje orienta a diplomacia alemã. Com os Estados Unidos, Berlim aposta na contenção e no diálogo, mesmo quando surgem discursos que colocam em causa princípios sensíveis como a soberania territorial. Com regimes considerados autoritários e fragilizados, como o iraniano, a linguagem é mais frontal e política, sublinhando a leitura de que a repressão não garante estabilidade duradoura.

No fundo, a Alemanha tenta afirmar-se como actor de equilíbrio: moderando tensões dentro do bloco ocidental e, ao mesmo tempo, assumindo uma postura crítica perante governos que, na sua visão, caminham para o esgotamento político. É uma diplomacia que combina prudência estratégica com posicionamento moral, num contexto internacional cada vez mais marcado por incerteza e competição de poder.

 

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