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Wednesday, January 21, 2026
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Mercados Globais | Tarifas dos EUA Reacendem Aversão ao Risco

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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">Mercados Mundiais Sobressaltados Após Ameaça de Tarifas de Trump à Europa e Pressão Sobre a Gronelândia

Os mercados financeiros internacionais iniciaram a semana sob acentuada volatilidade, depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado impor novas tarifas a vários países europeus caso Washington não seja autorizado a adquirir a Gronelândia, reacendendo tensões comerciais e geopolíticas que pressionaram as bolsas, enfraqueceram o dólar e reforçaram a procura por activos considerados de refúgio.

Segundo a Reuters, Trump anunciou a intenção de aplicar, a partir de 1 de Fevereiro, uma tarifa adicional de 10% sobre importações provenientes da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos, Finlândia e Reino Unido, com agravamento para 25% a partir de 1 de Junho caso não seja alcançado um acordo político. A ameaça foi prontamente rejeitada por vários Estados europeus, que classificaram a iniciativa como chantagem económica e sinalizaram a possibilidade de medidas de retaliação.

A reacção dos mercados foi imediata. Na Europa, os futuros do EURO STOXX 50 e do DAX caíram cerca de 1,1%, enquanto no Japão o índice Nikkei recuou aproximadamente 1%, num claro movimento de risk-off. Nos Estados Unidos, os futuros das bolsas apontavam igualmente para quedas, embora a reacção plena de Wall Street tenha sido adiada devido ao feriado do Dia de Martin Luther King Jr.

Dólar Sob Pressão e Moedas Refúgio em Alta

No mercado cambial, o dólar registou uma desvalorização generalizada. O euro recuperou cerca de 0,26%, negociando em torno de 1,1628 dólares, depois de ter tocado mínimos de sete semanas no início da sessão. O movimento reflecte uma reavaliação do risco político associado aos Estados Unidos, num contexto em que Washington surge novamente como epicentro de instabilidade geopolítica.

Moedas tradicionalmente consideradas refúgio, como o iene japonês e o franco suíço, beneficiaram do aumento da aversão ao risco. Em contraciclo, o Bitcoin, frequentemente utilizado como indicador do apetite por risco, caiu cerca de 3%, sendo transaccionado próximo de 92.600 dólares.

Analistas sublinham que, embora o dólar mantenha estatuto de activo de refúgio em períodos de stress financeiro, episódios em que os Estados Unidos são a principal fonte de incerteza tendem a penalizar a moeda. Segundo Khoon Goh, responsável de investigação para a Ásia no ANZ, os mercados estão a incorporar um prémio de risco político acrescido sobre o dólar.

Impacto Económico Potencial e Riscos Para o Crescimento

Do ponto de vista macroeconómico, a escalada tarifária levanta preocupações sobre o impacto no crescimento europeu. Estimativas da Capital Economics indicam que uma tarifa de 10% poderá reduzir o Produto Interno Bruto do Reino Unido e da Alemanha em cerca de 0,1%, enquanto uma tarifa de 25% poderá subtrair entre 0,2% e 0,3% à produção dessas economias.

O episódio surge num momento em que os mercados continuam a digerir outros focos de incerteza global, incluindo tensões no Médio Oriente, dúvidas sobre a trajectória futura da política monetária da Reserva Federal e propostas controversas da Administração norte-americana, como a imposição de limites às taxas de juro dos cartões de crédito.

Um Regresso a Velhas Tensões Comerciais

Para vários observadores, a situação faz lembrar os choques provocados pelas chamadas tarifas do “Dia da Libertação”, anunciadas em Abril de 2025, que inicialmente abalaram os mercados, mas cujo impacto acabou por ser parcialmente absorvido à medida que acordos bilaterais foram alcançados. A nova ameaça, contudo, sugere que o período de relativa complacência dos investidores poderá estar a chegar ao fim.

Como sintetizou Holger Schmieding, economista-chefe do Berenberg, “as esperanças de que o capítulo das tarifas estivesse encerrado foram, por agora, desfeitas”, recolocando a incerteza comercial no centro das preocupações dos mercados globais.

Fonte: O Económico

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