Por: Gentil Abel
A chegada a Maputo de uma equipa de busca e resgate das Forças Armadas da África do Sul (SANDF) para apoiar Moçambique nas operações de salvamento de vítimas das cheias nas províncias de Maputo e Gaza volta a colocar em evidência a importância da cooperação regional face a desastres naturais de grande escala. A iniciativa, anunciada através de um comunicado oficial da SANDF, surge num momento em que o país enfrenta uma das piores épocas de inundações desde o ano 2000.
Embora não tenham sido divulgados detalhes sobre o número de efectivos mobilizados, a disponibilização de um helicóptero Oryx da Força Aérea Sul-Africana representa um reforço significativo às capacidades de resposta, sobretudo em zonas de difícil acesso. Em contextos de cheias extensas, como as que afectam actualmente o sul de Moçambique, os meios aéreos tornam-se essenciais para o resgate de populações isoladas, muitas vezes encurraladas em tectos de casas ou em árvores.
As cheias em curso resultam do transbordo simultâneo de vários rios, Umbelúzi, Incomáti, Limpopo, Save e Búzi, e afectam vastas áreas das províncias de Maputo, Gaza e Sofala. Distritos densamente povoados e de baixa altitude, como Chókwè, Guijá, Chibuto e Xai-Xai, figuram entre os mais atingidos. Só na província de Gaza, estima-se que mais de 450 mil pessoas tenham sido afectadas, um número que ilustra a dimensão humana da crise.
Apesar do esforço das autoridades nacionais e dos parceiros internacionais, a informação disponível sobre os danos materiais e humanos ainda é limitada. Sabe-se, no entanto, que pelo menos uma pessoa perdeu a vida durante as operações de busca e resgate em Gaza, e há registo do desaparecimento de um político sul-africano no distrito de Chókwè, o que reforça o carácter transfronteiriço das consequências deste desastre.






