<
p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">Incidentes ferroviários e rodoviários causados pela subida do caudal do rio Limpopo voltam a evidenciar a vulnerabilidade das infra-estruturas críticas e os riscos para a mobilidade, abastecimento e actividade económica.
A circulação ferroviária na Linha do Limpopo foi retomada após um incidente provocado por chuvas intensas, ao mesmo tempo que a Estrada Nacional Número Um (N1), principal eixo rodoviário do país, voltou a ser interrompida na província de Gaza devido à subida do caudal do rio Limpopo. Os dois episódios, ocorridos num curto espaço de tempo, expõem de forma clara a vulnerabilidade das infra-estruturas críticas de transporte perante fenómenos climáticos extremos, com impactos directos na mobilidade, logística e actividade económica.
De acordo com informações dos Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), a circulação de comboios na Linha do Limpopo foi restabelecida após a interrupção causada pelo descarrilamento de uma automotora na zona do Romão, bairro das Mahotas, na cidade de Maputo. O incidente ocorreu na noite de domingo e terá sido provocado pela fraca visibilidade associada à chuva intensa registada no momento.
As equipas técnicas dos CFM intervieram prontamente no local, permitindo a reposição da linha e a retoma das operações ferroviárias ainda no mesmo dia. Segundo explicações técnicas avançadas pela empresa, a via encontrava-se soterrada devido ao arrastamento de solos pelas águas pluviais, situação que obrigou à suspensão temporária da circulação por razões de segurança.
Paralelamente, a situação revelou-se mais crítica no eixo rodoviário. A Estrada Nacional Número Um voltou a ser cortada na província de Gaza, concretamente no troço entre Xai-Xai e a vila da Macia, na sequência do galgamento das águas do rio Limpopo numa das pontes da zona baixa de Chicumbane. Trata-se do segundo corte registado em poucos dias, depois de uma interrupção anterior no troço Incoluane–3 de Fevereiro.
O impacto do corte na N1 estende-se muito para além da mobilidade local. A interrupção do principal corredor rodoviário entre o sul e o centro do país dificulta a circulação de pessoas e bens, levanta riscos de ruptura no abastecimento de combustíveis e produtos alimentares na província de Gaza e cria constrangimentos significativos à actividade económica regional. Longas filas em postos de abastecimento, escassez pontual de bens essenciais e desvio forçado de mercadorias foram alguns dos efeitos imediatos observados no terreno.
Do ponto de vista económico, estes episódios reiteram a elevada exposição das cadeias logísticas nacionais a eventos climáticos extremos, num contexto em que as alterações climáticas tendem a aumentar a frequência e intensidade de fenómenos como cheias e chuvas intensas. A dependência de poucos eixos estruturantes — como a N1 e determinadas linhas ferroviárias — amplifica os riscos sistémicos quando ocorrem interrupções simultâneas.
Especialistas sublinham que a recorrência destes episódios reforça a necessidade de investimentos estruturais na resiliência das infra-estruturas, incluindo obras de reforço, drenagem, monitorização preventiva e diversificação de rotas logísticas. Sem estes investimentos, os custos económicos associados a interrupções recorrentes tenderão a aumentar, penalizando empresas, consumidores e a competitividade da economia.
Enquanto as autoridades e operadores trabalham na normalização gradual da circulação, o episódio serve de alerta para a urgência de integrar a adaptação climática no planeamento e manutenção das infra-estruturas críticas, sob pena de os impactos económicos destas interrupções se tornarem cada vez mais frequentes e severos.
Fonte: O Económico






