Chegar à localidade de Nomiua, no distrito de Maganja da Costa, nesta altura, só é possível por via de embarcações, devido ao bloqueio da estrada pelas águas que descem a montante do rio Licungo.
Das quase quatro mil famílias afetadas, 1.014 encontram-se distribuídas por três centros de acomodação: Intabo-Guguruni, Pareirão e Mugodoma. Algumas chegaram voluntariamente; outras foram retiradas de forma compulsiva das suas casas. Há ainda o registo de mais de duas mil famílias que se refugiaram em casas de parentes.
Ana Cebola e Rosita Francisco relataram a nossa reportagem como está a vida no centro onde se encontram com as suas famílias.
“Depois fomos dado comida pelo INGD. Para a acomodação das pessoas que vivem aqui eles preparam comida, mas nas manhãs tem sido papa para as crianças. Depois preparam arroz, depois preparam xima. Não é suficiente, não chega para todos porque as pessoas são muitas”, disse Ana Cebola.
Já Rosita Francisco confirma que há muitas famílias acomodadas no centro, retiradas debaixo das chuvas. “Nós aqui fugimos da água desde dia 29 e a 30 no mês de Dezembro. Assim estamos aqui e estamos a viver no sofrimento”, disse.
O delegado do INGD na Zambézia, Hélder da Costa, explicou que, por agora, a alimentação não constitui problema, garantindo que a província dispõe de mais de 251 mil toneladas de alimentos. Neste momento, apenas Maganja da Costa está a registar enchentes significativas.
“Nós temos um pouco mais de 251 mil toneladas, quilogramas de cereais diversos, daí que naquilo que for o impacto, dependendo da zona e do número das famílias, nós vamos fazendo intervenção sempre que possível. Na verdade nós fizemos panelas comunitárias, visto que diariamente nós temos novas entradas nos centros de acomodação. Daí que optamos em fazer panelas comunitárias”, explicou.
Por outro lado, Hélder da Costa diz que pode não ser do agrado das famílias no centro, mas assegura que não falta alimentação. “É claro que a quantidade que se calhar eu consumo na minha casa pode não ser a mesma que o fulano se calhar possa consumir. Mas de acordo com aquilo que são as refeições básicas, e é uma base que nós temos usado, nós calculamos a refeição diária para este número de famílias tendo em conta quantos gramas a família come ou por pessoa come diariamente”, explicou
O Secretário de Estado do Mar e Pescas, Momad Juízo, encontra-se na Zambézia a acompanhar a presente época chuvosa e deixou um apelo para que as famílias permaneçam em locais seguros.
Momad Juízo diz que o Governo vai continuar a prestar assistência e a garantir que nada falte para as famílias que se encontram no centro. Mas também lamentou as mortes provocadas por chuvas.
“Queremos lamentar o desaparecimento físico de 11 cidadãos por conta desta situação. Mas foram particular das descargas eléctricas e também os 8 feridos foram registrados. Mas aquilo que podemos enfatizar é que reiteramos o pedido para que saiam das zonas propensas e possam vir às zonas seguras para preservar a vida e preservar os bens que nós conseguimos com muito sacrifício”, apelou.
No baixo Licungo, em Nante, a situação tende a agravar-se devido às chuvas a montante e ao dique de proteção danificado. Em épocas anteriores, a infraestrutura foi reabilitada, mas não se mostrou eficaz.
Fonte: O País






