Governo estima défice de 87,9 milhões de euros para assistência humanitária e mantém EN1 intransitável
O Presidente da República reuniu-se esta terça-feira com representantes do sector privado, no âmbito do Alerta Vermelho decretado pelo Governo devido às chuvas intensas e inundações severas que afectam várias regiões do país, apelando a uma actuação coordenada, solidária e permanente para salvar vidas, numa altura em que o Estado enfrenta um défice estimado em 87,9 milhões de euros para assistência humanitária.
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, reuniu-se hoje, no seu Gabinete de Trabalho, com representantes do sector privado, no quadro das acções de monitoria, coordenação e mobilização de recursos para responder à emergência humanitária provocada pelas cheias e inundações que assolam várias regiões de Moçambique.
Segundo informação oficial da Presidência da República, o encontro teve como objectivo central alinhar informação, partilhar o ponto de situação actualizado no terreno e apelar a uma actuação conjunta e contínua entre o Estado, o sector privado e a sociedade civil, numa fase em que os impactos das intempéries continuam a agravar-se.
Na sua intervenção, o Chefe do Estado sublinhou que a prioridade absoluta do Governo é a protecção da vida humana, alertando que a situação permanece crítica, com danos significativos em infra-estruturas estratégicas, interrupções na mobilidade e riscos sanitários acrescidos nos centros de acolhimento.
EN1 permanece cortada e mobilidade condicionada
O Presidente Chapo destacou a interrupção de vários troços da Estrada Nacional Número Um (EN1), principal eixo rodoviário do país, bem como da EN2, sublinhando que a retoma da circulação depende da descida do nível das águas, não havendo, para já, previsão concreta para a reposição da transitabilidade.
Para mitigar os impactos da interrupção rodoviária, o Governo está a recorrer a soluções alternativas de mobilidade, incluindo a criação de pontes aéreas entre Maputo e Xai-Xai, via Aeroporto Internacional de Chongoene, bem como ligações para Inhambane e Vilankulo, com tarifas especiais e promocionais.
Défice financeiro pressiona resposta humanitária
De acordo com o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, Moçambique necessita de 6,6 mil milhões de meticais, equivalentes a 87,9 milhões de euros, para reforçar a assistência humanitária às vítimas das inundações que se encontram actualmente em centros de acomodação.
Este montante enquadra-se nas projecções do Plano de Contingência para a época chuvosa 2025/2026, que previa a possibilidade de até 1,2 milhões de pessoas afectadas e uma necessidade global de cerca de 14 mil milhões de meticais (aproximadamente 190 milhões de euros). Contudo, até ao início da época chuvosa, o Governo dispunha de menos de metade dos recursos estimados como necessários.
Centros de acolhimento sob pressão e riscos sanitários
A Presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, avançou que, desde o início da época chuvosa, a 1 de Outubro de 2025, 645.781 pessoas, correspondentes a 122.863 famílias, foram afectadas cumulativamente pelas cheias, registando-se 112 óbitos, 99 feridos e três desaparecidos.
Actualmente, permanecem activos 68 centros de acomodação, que acolhem mais de 91 mil pessoas, maioritariamente em salas de aula e escolas, situação que, segundo o Presidente da República, eleva significativamente o risco de doenças hídricas, como cólera, malária e diarreias, exigindo uma resposta urgente em alimentação, água potável, medicamentos e condições mínimas de higiene.
Apelo à solidariedade empresarial e nacional
Face à dimensão da crise, Daniel Chapo apelou ao sector privado para uma participação activa e solidária, sublinhando que o apoio esperado não se limita a contribuições financeiras, mas inclui também bens essenciais, como alimentos não perecíveis, água, medicamentos, roupa e outros meios de assistência imediata.
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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">“O que se espera é uma mobilização solidária, contínua e coordenada, capaz de complementar o esforço do Estado e salvar vidas”, sublinhou o Chefe do Estado, defendendo que a resposta à emergência deve ser encarada como um desafio nacional, com impacto directo na estabilidade social, económica e produtiva do país.
Fonte: O Económico





