Por: Gentil Abel
Familiares e pessoas próximas de Pedro Ferraz Correia dos Reis contestam a explicação oficial das autoridades moçambicanas para a sua morte e apelam à intervenção do Estado português.
Uma petição pública divulgada nos últimos dias solicita às autoridades portuguesas que assumam um papel activo no esclarecimento da morte do administrador português do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), encontrada a 20 de janeiro do presente ano, num hotel de luxo na capital moçambicana. O caso tem gerado forte controvérsia, sobretudo após o rápido encerramento da investigação pelas autoridades locais.
Os subscritores do documento manifestam preocupação face à conclusão do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), que apontou o suicídio como causa da morte poucas horas depois do ocorrido. Segundo a versão oficial, o gestor terá recorrido a armas brancas e ingerido veneno para ratos, uma explicação que familiares e amigos consideram pouco plausível.
Na petição, a investigação é descrita como precipitada e inconsistente, sendo referidas alegadas contradições nas comunicações iniciais das autoridades, que teriam começado por admitir a hipótese de homicídio antes de a descartarem rapidamente. Para os promotores da iniciativa, estas mudanças levantam dúvidas sérias sobre a solidez das conclusões apresentadas.
O apelo dirige-se em particular ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, instando-o a pressionar o Governo de Moçambique no sentido de garantir uma averiguação independente, transparente e aprofundada. É igualmente solicitado apoio e proteção consular à família da vítima, que vive em Maputo.
Pedro Correia dos Reis ocupava um cargo de destaque no BCI, banco participado maioritariamente por grupos portugueses, a sua morte provocou consternação tanto na comunidade portuguesa residente em Moçambique como em Portugal.






