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Petróleo Recupera Após Ameaças de Trump ao Irão Reavivarem Receios Sobre a Oferta Global

Tensões geopolíticas no Médio Oriente voltam a sobrepor-se a dados negativos sobre stocks nos EUA, num mercado ainda pressionado por expectativas de excesso de oferta em 2026.

Os preços internacionais do petróleo registaram uma recuperação moderada esta sexta-feira, 23 de Janeiro, após declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reacenderam receios de uma escalada militar envolvendo o Irão, um dos principais produtores da OPEC, num momento em que o mercado continua a debater-se com sinais de excesso de oferta e aumento dos stocks norte-americanos.

Geopolítica volta a ditar o sentimento do mercado

O Brent, referência internacional, subiu cerca de 0,6%, para níveis próximos de 64,4 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançou para perto de 59,7 dólares. A recuperação surge depois de uma sessão negativa na quinta-feira, marcada por vendas motivadas por dados desfavoráveis sobre inventários nos Estados Unidos.

O movimento de alta foi impulsionado por declarações de Trump a bordo do Air Force One, nas quais afirmou que os EUA têm uma “armada” em deslocação para o Irão, advertindo Teerão contra a repressão interna e qualquer tentativa de retomar o programa nuclear. Segundo fontes oficiais norte-americanas, um porta-aviões e vários destróieres deverão chegar ao Médio Oriente nos próximos dias.

O Irão é actualmente o quarto maior produtor da OPEC e um fornecedor relevante para a China, o que reforça a sensibilidade do mercado a qualquer risco de interrupção no Estreito de Ormuz, por onde transita uma parte significativa do petróleo consumido globalmente.

Stocks nos EUA travam ganhos mais expressivos

Apesar da recuperação, os ganhos do crude permanecem limitados por dados recentes do mercado norte-americano. A Energy Information Administration revelou que os stocks de crude aumentaram em 3,6 milhões de barris na semana terminada a 16 de Janeiro, superando largamente as previsões dos analistas e elevando as reservas para o nível mais alto desde Novembro.

Este crescimento ocorre num contexto de abrandamento da procura por combustíveis nos Estados Unidos, o maior consumidor mundial de petróleo, reforçando o argumento de que o mercado enfrenta um desequilíbrio estrutural entre oferta e procura no curto e médio prazo.

Excesso de oferta continua a ensombrar perspectivas

A leitura cautelosa do mercado é também sustentada pelas projecções da International Energy Agency, que reiterou recentemente que a produção global deverá exceder a procura ao longo de 2026, contribuindo para o aumento dos stocks a nível mundial.

Segundo analistas, o crude tem registado uma recuperação gradual em Janeiro, após um desempenho fraco em 2025, mas o cenário de fundo continua marcado por um viés baixista. “A fraqueza do dólar está a dar algum suporte aos preços, mas o equilíbrio do mercado permanece frágil, com riscos geopolíticos a atrasarem uma eventual correcção mais profunda”, observam estrategas do sector.

Mercado entre riscos e fundamentos

O actual comportamento dos preços reflecte um mercado dividido entre choques geopolíticos de curto prazo e fundamentos económicos mais adversos. Enquanto declarações políticas e movimentações militares tendem a gerar reacções imediatas, os dados sobre oferta, stocks e procura continuam a sugerir um ambiente de pressão descendente sobre os preços ao longo do ano.

Para economias importadoras de energia, este contexto pode representar algum alívio no médio prazo. Já para países exportadores — incluindo várias economias africanas — a volatilidade reforça a necessidade de prudência fiscal e diversificação das fontes de crescimento.

Fonte: O Económico

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