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Cheias Danificam Mais de 5 000 Km de Estradas em Moçambique e Exigem Resposta Urgente à Fragilidade da Rede Rodoviária

Por: Alfredo Júnior

As fortes chuvas e as cheias que têm afectado Moçambique nas últimas semanas provocaram um impacto profundo nas infraestruturas do país, com mais de 5 000 quilómetros de estradas danificadas em pelo menos nove províncias, expondo, mais uma vez, as fragilidades de uma rede rodoviária que não resiste às oscilações climáticas extremas e pondo em causa a circulação de pessoas, bens e serviços essenciais.

Segundo informações veiculadas pelas Nações Unidas, a extensão dos danos inclui troços críticos da malha viária nacional, entre os quais estradas que ligam a capital Maputo ao interior do país, agora intransitáveis ou obstruídas por aluviões e plataforma rodoviária destruída, complicando ainda mais a distribuição de ajuda humanitária e o acesso a mercados e serviços básicos.

As cheias já afectaram grande parte do território nacional, com destaque para as províncias de Gaza, Maputo e Sofala, onde comunidades inteiras ficaram isoladas e parte da população foi forçada a recorrer a embarcações improvisadas para se deslocar entre bairros inundados ou para aceder a centros de assistência.

Mais do que apenas números, o fenómeno revela um padrão estrutural: a maior parte da rede rodoviária moçambicana está localizada em zonas propensas a inundações e não dispõe de protecções adequadas contra eventos hidrológicos extremos, uma realidade que decorre não só da própria geografia do país como da ausência de estratégias sólidas de adaptação e infraestruturas resilientes.

Autoridades, técnicos e organizações internacionais alertam que o custo da reconstrução e reabilitação será significativo, num contexto em que despesas relacionadas com eventos climáticos já representam uma fatia considerável dos orçamentos de manutenção e desenvolvimento das estradas, sem contar os prejuízos económicos resultantes da interrupção das cadeias de abastecimento.

A deterioração da rede rodoviária tem consequências que vão além da mobilidade: afecta a economia rural, a interligação entre cidades e distritos, o acesso a cuidados de saúde e a educação, e aprofunda o isolamento das populações mais vulneráveis. Especialistas sublinham que, enquanto não forem adoptadas abordagens integradas de planeamento que contemplem infraestruturas resistentes ao clima, Moçambique continuará a ver repetidos ciclos de destruição, reconstrução e novo dano a cada época chuvosa.

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