27.1 C
New York
Friday, January 23, 2026
InícioEconomiaCheias no Sul Governo Antecipa Melhorias Gradualizadas, Mas Mantém Alerta Sobre Risco...

Cheias no Sul Governo Antecipa Melhorias Gradualizadas, Mas Mantém Alerta Sobre Risco Hidrológico Transfronteiriço

Redução das chuvas e descargas nas barragens pode aliviar a situação nas principais bacias do sul dentro de uma semana, mas instabilidade da barragem sul-africana de Senteeko mantém elevado o risco para Maputo.

A situação de cheias e inundações nas principais bacias hidrográficas do sul e centro de Moçambique poderá registar melhorias graduais ao longo da próxima semana, impulsionadas pela redução das chuvas e das descargas nas barragens, embora o Governo mantenha um alerta elevado devido ao risco persistente associado à barragem de Senteeko, localizada na República da África do Sul.

Alívio esperado, mas com prudência institucional

Segundo as autoridades de gestão dos recursos hídricos, a diminuição progressiva dos caudais nas bacias do Incomáti e do Limpopo poderá permitir uma avaliação mais rigorosa dos danos em infra-estruturas, incluindo estradas e vias de acesso, com destaque para troços da Estrada Nacional Número Um (EN1), cuja transitabilidade tem estado condicionada.

Apesar desta tendência, o Governo sublinha que não é ainda aconselhável o regresso das populações às zonas afectadas, uma vez que o país se encontra no pico da época chuvosa e ciclónica, com alerta vermelho em vigor.

Barragem de Senteeko mantém risco elevado

Um dos principais factores de incerteza reside na barragem de Senteeko, construída no rio Crocodilo, afluente do Incomáti, em território sul-africano. A infra-estrutura ultrapassou os seus limites de segurança após chuvas intensas, e uma eventual ruptura poderá gerar um caudal de pico entre 2.300 e 2.500 metros cúbicos por segundo à entrada de Moçambique, com impacto directo nos distritos de Moamba, Magude e Manhiça.

As autoridades moçambicanas confirmam que equipas técnicas sul-africanas estão no terreno a monitorizar a estabilidade da barragem, mas sublinham que o risco não foi ainda totalmente afastado.

Impacto económico e infra-estrutural continua relevante

As cheias continuam a provocar constrangimentos significativos à actividade económica local, afectando a mobilidade, o escoamento da produção agrícola e o funcionamento normal dos mercados. A inundação de dezenas de milhares de casas e a perda expressiva de áreas cultivadas e de efectivos pecuários traduzem-se em pressão adicional sobre o rendimento das famílias e a segurança alimentar.

No sector pecuário, as províncias de Gaza e Maputo registam perdas elevadas de gado bovino, caprino e suíno, com impacto directo em milhares de criadores, comprometendo a reposição da capacidade produtiva no curto prazo.

Resposta operacional e cooperação regional

Desde meados de Dezembro, as operações de busca e salvamento envolveram meios aéreos e navais, incluindo apoio da Força Aérea da África do Sul, reflectindo a dimensão transfronteiriça do fenómeno e a necessidade de coordenação regional em matéria de gestão do risco hídrico.

As autoridades reconhecem que, apesar do funcionamento do sistema de aviso prévio ter contribuído para mitigar perdas humanas mais elevadas, a magnitude do evento ultrapassa os meios nacionais disponíveis, reforçando a necessidade de investimentos estruturais em prevenção, monitoria de barragens e adaptação climática.

Melhorias condicionadas à evolução climática

Com a época chuvosa prevista prolongar-se até Abril, o Governo admite que a evolução da situação dependerá da estabilidade das infra-estruturas hídricas na região e da continuidade da tendência de redução dos caudais. Até lá, mantém-se o apelo à cautela e ao cumprimento rigoroso das orientações das autoridades.

Fonte: O Económico

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu nome aqui
Por favor digite seu comentário!

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

- Advertisment -spot_img