Este é o único ponto de fronteira de Gaza com o Egito e representa uma grande esperança para milhares de palestinos gravemente doentes ou feridos que precisam de tratamento médico fora do enclave.
Apenas 50 palestinos podem entrar e sair por dia
A passagem de fronteira ficou fechada por mais de um ano. A reabertura é parte integrante do plano de paz de 20 pontos apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em setembro passado, com o cessar-fogo anunciado dias depois.
A trégua entre Israel e Hamas continua em vigor, mas o fim de semana foi marcado por relatos de violência e morte de civis em ataques aéreos israelenses.
Por enquanto, Israel permitirá que apenas cerca de 50 palestinos entrem e saiam de Gaza por dia, e somente a pé, segundo informações de agências de notícias.
A travessia será coordenada com o Egito e supervisionada pela União Europeia, EU, de acordo com o Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Ocha.
Processo de controle
O retorno só será permitido para residentes que deixaram o país durante a guerra e após obterem autorização prévia dos serviços de segurança israelenses.
Essas pessoas serão verificadas pela UE no posto de controle de Rafah e passarão por um segundo processo de identificação e controle em um corredor gerenciado pelo exército israelense, em uma área sob seu controle.
O Ocha saudou a reabertura da importante passagem de fronteira, salientando que "os civis devem ter permissão para sair e retornar voluntariamente e em segurança, conforme exige o direito internacional". Durante o fim de semana, a ONU realizou uma missão para avaliar as condições das estradas.
Na segunda-feira, a Organização Mundial da Saúde, OMS, manifestou apoio aos esforços de evacuação médica. De acordo com fontes palestinas, as autoridades israelenses aprovaram a viagem de apenas cinco pacientes feridos, de uma lista de 27 nomes apresentada tanto ao lado egípcio quanto ao israelense.

Grande necessidade de evacuações médicas
Um correspondente da ONU News estava presente quando os ônibus começaram a se preparar para partir no pátio do Hospital Al-Amal. Um dos passageiros era um menino chamado Youssef Awad, que usa cadeira de rodas. Ele disse que estava otimista de “fazer tratamento e voltar a andar como as outras crianças".
No mesmo local dezenas de palestinos feridos realizaram uma manifestação, sentados em suas cadeiras de rodas, exigindo um aumento no número de pessoas autorizadas a viajar diariamente.
Um dos manifestantes, Farid al-Qassas, disse que só neste hospital, há cerca de 100 pacientes que precisam de encaminhamento médico, e o número de feridos aguardando transporte chega a cerca de 13 mil.
A última evacuação médica pela passagem de Rafah ocorreu em maio de 2024. No total, mais de 18,5 mil pacientes em Gaza, incluindo 4 mil crianças, ainda aguardam para ter acesso a tratamento no exterior.
“O medo e a incerteza persistem”
Falando a jornalistas, o diretor interino de Assuntos da Unrwa em Gaza, Sam Rose, disse que a agência permanece em campo prestando assistência vital.
Ele afirmou que, entre os palestinos, “o medo e a incerteza persistem”, adicionando que e “as necessidades humanitárias continuam agudas em meio às restrições operacionais em curso”.
O representante da Unrwa declarou que as organizações internacionais que estão equipadas e qualificadas e para realizar o trabalho que é urgentemente necessário continuam enfrentando “grandes limitações”.
Fonte: ONU






